Os dramas dos venezuelanos que vivem no Brasil, dois meses depois do terremoto
Dois meses depois do terremoto que atingiu a Venezuela, com mais de 6 400 mortes e milhares de pessoas desabrigadas, uma triste rotina se estabeleceu nas cidades mais atingidas: sobreviventes se dirigem aos escombros para tentar achar os corpos dos que ainda estão soterrados.
Com pás, picaretas e até com as mãos, moradores reviram o entulho na esperança de, ao menos, oferecer um funeral digno.
É drama que atravessa fronteiras.
Ao menos 500 000 imigrantes que pediram refúgio ao Brasil, para escapar da fome e da miséria que agravam ainda mais a tragédia, seguem a dor à distância.
“A esperança de encontrar meu pai com vida diminui cada vez mais, mas nunca acaba”, diz Daniel Medina, 28 anos, que não tem notícia paterna alguma desde 24 de junho, quando a terra tremeu na cidade de La Guaira.
Cerca de 60 000 imóveis foram danificados em decorrência da precariedade das construções erguidas na pobreza da República Bolivariana.
Para quem deixou a terra natal às pressas, consultar várias vezes por dia os sites criados para reunir informações sobre mortos e sobreviventes — o Venezuela Te Busca e o Desaparecidos Terremoto Venezuela são dois deles — é o jeito mais fácil, embora frágil e incerto, de buscar informações sobre os familiares.
O horror ganha outros contornos, ainda mais duros, quando se compara o incomparável.
Na Colômbia, na semana passada, com um tremor de mesma magnitude — 7,4 graus na escala Richter — os danos foram menos ruidosos, com 294 mortos, porque o epicentro atingiu regiões menos populosas e porque o país estava mais bem preparado.
ÚLTIMOS SORRISOS – Em um dos derradeiros encontros, na companhia do irmão e da tia, Daniel Medina (à dir.) se despediu sem saber do pai, Félix Tovar, 70 (à esq.), antes de ele viajar para visitar familiares: “A esperança não acaba”, diz. ./Arquivo pessoal As famílias partidas pela diáspora venezuelana já não buscam mais contatos e informações nos 107 acampamentos onde mais de 20 000 desterrados tentam reerguer a vida, mas se mobilizam para colher amostras de DNA, caminho possível para identificar os parentes sob destroços.
O acaso, às vezes, colabora nas buscas.
O frentista Gustavo Oliveira, 20 anos, que vive no Ceará, viu a avó, sumida, ao acompanhar uma live de socorro no TikTok.
Ela foi localizada, mas quatro tias, dois tios e vários primos de Oliveira seguem perdidos.
“Sinto uma culpa enorme por estar aqui, em segurança, enquanto eles passam por tudo isso”, diz.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.