Ex-embaixador: Lula tem visão grandiosa na ONU, e Trump traz negacionismo
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Roberto Abdenur avaliou no UOL News , do Canal UOL, que o discurso do presidente Lula (PT) na Assembleia Geral da ONU foi "muito bom" e mostrou uma visão "grandiosa" da ordem internacional, em contraste com o discurso de Donald Trump , que ele avaliou como "negacionista".
Ao comentar a fala de Lula, Abdenur afirmou que o presidente fez uma defesa do multilateralismo e apontou um momento crítico para a ONU, com guerras e ameaças à paz. Ele comparou o tom com o discurso de Trump, que vê como tentativa de impor poder militar e econômico.
O discurso do presidente Lula foi muito bom. Pode-se resumir o conteúdo dizendo que foi uma defesa enfática do multilateralismo. Ele assinala que a ONU está vivendo um momento crítico, com guerras, conflitos irresolvidos, ameaças à paz, ameaças à segurança internacional. É muito interessante o contraste entre essa visão grandiosa, abrangente que tem o presidente Lula e, do lado do Trump, uma atitude negacionista: a negação da ordem internacional, a exaltação do poder americano. Roberto Abdenur
Na entrevista, o ex-embaixador destacou uma das frases de Lula no plenário: "o Brasil não cabe no quintal de ninguém" . Para ele, a declaração funciona como recado contra tentativas de dominação nas Américas por parte dos EUA e rejeita uma relação de subordinação.
Ele disse uma frase muito interessante que repercute: o Brasil não cabe no quintal de nenhum país. É uma referência à doutrina do Trump posta em prática pelo Marco Rubio de dominação completa das Américas. Nós rejeitamos a ideia de vassalagem dos Estados Unidos. Roberto Abdenur
Abdenur também comentou a passagem em que Lula usou a expressão "genocídio de palestinos" ao se referir ao governo de Benjamin Netanyahu, em Israel, aliado de Trump. Ele citou que o líder brasileiro pregou evitar guerras, superar desigualdades e mirar o futuro.
Já ao analisar o discurso de Trump, o ex-chanceler disse que o republicano exaltou o poder americano e associou o Irã aos atentados de 11 de setembro, o que ele chamou de interpretação "falaciosa".
Abdenur afirmou que Trump também se atribuiu, indevidamente, resultados em conflitos nos quais "realmente não atuou".
O Trump exalta o poder americano, atribui a ele próprio o alcance de um poder antes inigualável. Ele dá a entender falaciosamente que o Irã tinha algo a ver com os atentados terroristas de Nova Iorque do 11 de setembro. E ele se atribui, indevidamente, à paz em conflitos em que ele realmente não atuou. Roberto Abdenur
Questionado se Lula deveria ter sido mais duro ao tratar do tema da influência dos Estados Unidos e de uma eventual interferência nas eleições brasileiras, Abdenur disse que o presidente foi "no ponto" e defendeu sobriedade em um discurso na ONU.
Eu acho que foi no ponto. Num discurso, precisa ter sobriedade, evitar expressões demasiado fortes. Eu acho que o presidente foi muito claro e finalizou dizendo que as eleições agora serão uma escolha entre um futuro melhor, ou negacionismo da verdade, da democracia, o negacionismo dos direitos humanos, da democracia no Brasil.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.