O pássaro que consegue dormir enquanto permanece voando e utiliza períodos extremamente curtos de sono durante longas jornadas sobre o oceano
Registros da atividade cerebral mostraram que a ave consegue alternar breves períodos de sono com longas horas de voo sobre o mar
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Durante viagens que podem mantê-la sobre o oceano por vários dias, a fragata-grande consegue dormir em pleno voo , mas de uma maneira muito diferente de quando está em terra. Registros diretos da atividade cerebral de Fregata minor mostraram períodos curtíssimos de sono enquanto essas aves planavam, revelando uma adaptação extraordinária às exigências de permanecer no ar.
Pesquisadores equiparam fragatas-grandes com pequenos dispositivos capazes de registrar eletroencefalograma, movimentos da cabeça e posição por GPS. Os animais foram acompanhados durante voos sobre o oceano que duraram até dez dias, permitindo identificar diretamente quando o cérebro entrava em estados característicos de sono.
Os resultados mostraram que elas dormiam principalmente enquanto planavam ou circulavam em correntes ascendentes de ar, situações que exigem menos batimentos ativos das asas. Isso reduz a necessidade de realizar ajustes musculares constantes durante os breves períodos de repouso.
Surpreendentemente, muito pouco. Durante os voos estudados, as aves dormiram em média apenas 0,69 hora por dia, aproximadamente 42 minutos. Isso correspondeu a cerca de 7,4% do tempo de sono registrado quando os mesmos animais estavam em terra.
Os episódios individuais também eram breves. O sono de ondas lentas durava em média cerca de 11 segundos por episódio durante o voo, embora alguns períodos contínuos alcançassem alguns minutos. Quase todo esse sono ocorria durante a noite.
Este vídeo explica as descobertas feitas com registros cerebrais de fragatas durante o voo.
Nem sempre. As fragatas apresentaram sono de ondas lentas tanto em um hemisfério cerebral por vez quanto nos dois hemisférios simultaneamente. O sono assimétrico foi mais frequente durante o voo do que quando as aves estavam em terra.
Durante determinados movimentos circulares, o hemisfério conectado ao olho voltado para a direção da curva permanecia mais desperto. Essa associação sugere que o sono uni-hemisférico pode permitir algum monitoramento visual da trajetória enquanto parte do cérebro repousa.
As fragatas precisam continuar procurando alimento, acompanhando correntes de ar e controlando sua trajetória. Elas também evitam permanecer pousadas sobre a água porque sua plumagem possui impermeabilização reduzida e sua anatomia dificulta uma decolagem eficiente depois de contato prolongado com o mar.
O estudo publicado na Nature Communications demonstrou ainda que o sono durante o voo era mais fragmentado e menos profundo. Assim, a capacidade de dormir no ar não significa que essas aves obtenham normalmente todo o descanso necessário enquanto atravessam o oceano.
Os episódios de sono de ondas lentas também diminuíram drasticamente de duração. Em voo, a média ficou próxima de 10,9 segundos, enquanto em terra atingiu aproximadamente 28,3 segundos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.