Dark Horse: onde está quem chamava a Lei Rouanet de mamata?
Durante anos, a Lei Rouanet foi chamada de “mamata”.
Artistas viraram inimigos, projetos culturais foram tratados como desperdício e uma parcela da população foi convencida de que incentivo à cultura significava dinheiro público distribuído sem controle.
Agora, a Polícia Federal investiga o caminho de dezenas de milhões de reais relacionados a Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro que, pelas cifras reveladas até aqui, pode figurar entre as produções brasileiras mais caras já realizadas .
A contradição merece atenção: integrantes do mesmo campo político que transformou a transparência da cultura em instrumento de perseguição precisam agora responder às perguntas que durante anos ajudaram a lançar contra artistas .
A investigação envolve uma remessa de US$ 12 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões à época, destinada a uma estrutura financeira nos Estados Unidos relacionada ao financiamento do longa.
Há divergências entre valores projetados, transferidos e aqueles apresentados como efetivamente gastos, o que impede afirmar que Dark Horse seja definitivamente o filme brasileiro mais caro da história ou que todo o dinheiro investigado tenha sido utilizado na obra.
Flávio Bolsonaro é investigado em inquérito autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal , e reconheceu ter procurado Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, para tratar do financiamento privado do filme.
Eduardo Bolsonaro também aparece entre os investigados.
Ambos negam irregularidades.
Em outra frente, a Operação Make Up chegou ao deputado federal Mário Frias, ex-secretário especial da Cultura do governo Bolsonaro e ligado à produção de Dark Horse, e à produtora Karina Ferreira da Gama.
A Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão e investiga possível desvio de recursos provenientes de emendas parlamentares e eventual conexão desse dinheiro com estruturas empresariais relacionadas ao longa.
Frias e Gama negam irregularidades.
Investigação não significa condenação, e preservar essa diferença é indispensável.
Mas o direito à defesa não elimina o direito da sociedade de saber de onde veio o dinheiro, por onde passou e qual foi sua destinação.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.metropoles.com — o conteúdo pertence a Metrópoles.