Flup 2026 celebra as mulheres negras com Ana Maria Gonçalves e Djamila Ribeiro
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A 16ª edição da Festa Literária das Periferias, a Flup , começou homenageando Ana Maria Gonçalves , escritora e a primeira mulher negra a se tornar imortal da Academia Brasileira de Letras, a ABL.
Reunindo diversos nomes importantes da cultura e da literatura , o evento terá convidados como Conceição Evaristo, Kimberlé Crenshaw e Gilberto Gil . O evento começou nesta quarta-feira (23) e se estende até domingo (27), no centro do Rio de Janeiro .
A abertura da Flup contou a Batalha da Memória, que reuniu 700 estudantes de dez escolas da rede pública nas atividades de criação por meio da literatura e das memórias de seus territórios. Também teve um momento de tomar a bênção das mais velhas, em uma prática ancestral realizada pela rezadeira Nicinha.
Já na mesa "As filhas das filhas das filhas", a autora de "Um Defeito de Cor" e a filósofa Djamila Ribeiro, colunista da Folha , discutiram pautas como mestiçagem, trabalho doméstico e saúde das mulheres negras, com mediação da historiadora Angélica Ferrarez.
O objetivo da conversa foi debater as trajetórias de mulheres negras, partindo da relação entre os personagens Vó Antônia, que Djamila abordou no livro "Cartas para Minha Avó", e Kehinde, protagonista fictícia do romance da imortal da ABL .
"‘Um Defeito de Cor’ foi a minha educação, o meu letramento racial", disse a autora. "Foi por meio desse livro que entendi a história, a vivência de mulheres e quais são os tentáculos da escravidão que apanham a gente aqui em vários lugares. Foi um livro de autoconhecimento para mim e para muita gente que aprendeu sua história por meio dele."
"Foi um livro que me curou, me trouxe volta pra honrar esse lugar. O lugar do cuidado como esteio. De poder olhar para essa ancestralidade feminina que foi tão importante quanto meu pai", afirmou Djamila.
Gonçalves disse acreditar no poder das mulheres negras. "Tem aquela frase famosa da Angela Davis de que, quando uma mulher negra se movimenta, toda a sociedade é obrigada a se movimentar com ela. O movimento de abrir espaço para a gente nesses lugares já é um espaço de fazer a sociedade se movimentar", disse a homenageada sobre seu pioneirismo na ABL.
"A literatura pode individualizar as pessoas, dando nome a uma trajetória e uma história, para que não fiquem apenas generalizadas. Não são apenas 'os escravizados'; é uma pessoa que tem um nome, que tem uma existência e um lugar social no mundo", acrescentou a imortal.
Ao fim do evento, houve a entrega do Prêmio Na Palma da Mão, com o objetivo de reconhecer as rodas de samba e novos talentos. A Flup tem curadoria de Mame-Fatou Niang, especialista em literatura, identidade, raça e questões pós-coloniais na França contemporânea.
O festival está dividido em alguns espaços do centro do Rio. A programação literária aborda temas como racismo, memória, gênero, diáspora e ancestralidade no Teatro Carlos Gomes.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.