Milei retoma base naval no 'fim do mundo', aposta em apoio de Trump e endurece posição nas Malvinas
O presidente argentino Javier Milei reativou nesta semana o projeto da Base Naval Integrada em Ushuaia, ao anunciar que vai endurecer sanções contra a exploração petrolífera nas Malvinas na sexta-feira (11). A obra, iniciada em 2022 e hoje paralisada, ganha novo peso após Donald Trump indicar que pode rever a neutralidade dos EUA sobre o conflito. A região, estratégica para o acesso à Antártida, atrai interesse crescente de Estados Unidos e China.
O presidente argentino Javier Milei reativou nesta semana o projeto da Base Naval Integrada em Ushuaia, após anos de paralisação, ao anunciar que vai "endurecer sanções e penas" contra a exploração petrolífera nas ilhas Malvinas , sob controle britânico. A decisão ocorre dias depois de Donald Trump, presidente dos EUA, afirmar que poderia reconsiderar a neutralidade norte-americana sobre o conflito , reacendendo a disputa diplomática em torno do arquipélago.
A retomada do projeto coincide com o avanço de iniciativas britânicas, como o plano petrolífero "Sea Lion", rejeitado por Buenos Aires. A base, segundo Milei, reforçaria a projeção argentina rumo à Antártida e ampliaria a presença militar em uma área estratégica próxima aos corredores marítimos que conectam os oceanos Atlântico e Pacífico ? região que desperta crescente interesse de Estados Unidos e China.
Apesar das declarações, o futuro complexo militar é, por ora, apenas uma plataforma de concreto de 2.500 m² em um terreno de 38 hectares sem acesso público. A obra, iniciada em 2022 durante o governo Alberto Fernández, avançou apenas 9,13% segundo dados oficiais. O local fica a cerca de 5 km do centro de Ushuaia e próximo ao aeroporto da capital de Tierra del Fuego.
Milei afirma que a base permitirá consolidar a presença argentina na Antártida, área de interesse científico, militar e econômico. Para analistas, a iniciativa busca reforçar a posição do país em um território que, embora regido por tratados internacionais, é alvo de disputas silenciosas entre potências. Daniel Guzmán, ex-combatente da guerra de 1982 e especialista em relações internacionais, avalia que a instalação poderia servir não apenas para patrulhamento, mas também para apoio logístico a outras marinhas.
Moradores de Ushuaia também enxergam oportunidade. "Por alguma razão, agora temos os olhos do mundo voltados para esta região", disse o médico Rubén Rafael, 69. A cidade, conhecida como "fim do mundo", tornou-se ponto de interesse global por sua proximidade com a Antártida e por estar situada no Canal Beagle, passagem natural entre os dois oceanos.
O governador de Tierra del Fuego, Gustavo Melella, opositor a Milei, apoia a construção, mas impõe limites. Ele afirma que a obra pode ampliar a presença argentina no Atlântico Sul, desde que não envolva participação de outros países. Melella recebeu na sexta-feira os ministros das Relações Exteriores e da Defesa, Pablo Quirno e Carlos Presti, para discutir o projeto.
A possível vinculação dos EUA à base gerou polêmica em 2024, quando Milei viajou a Ushuaia para se reunir com Laura Richardson, então chefe do Comando Sul.
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