Brasileira é presa pelo governo Trump após sofrer aborto espontâneo e pedir ajuda
Uma brasileira de 29 anos foi detida pelo serviço de imigração dos Estados Unidos após sofrer um aborto espontâneo e enfrentar uma crise de saúde mental relacionada à perda da gestação . Iara do Carmo Santana permaneceu três noites sob custódia do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) e afirma que ficou sem acesso aos medicamentos de que precisava durante o período . A apuração é da Folha de S.Paulo, que teve acesso a documentos judiciais e conversou com a brasileira, seu noivo e seu advogado.
O caso ocorreu em Massachusetts. Em 3 de setembro, Gabriel Lemos, de 31 anos, noivo de Iara, acionou o serviço de emergência porque, segundo o casal, a brasileira passava por um episódio de desestabilização emocional após a perda da gravidez .
Gabriel afirmou ao jornal que esperava que uma ambulância fosse enviada para ajudá-la. “Eu moro neste país há 11 anos e já tinha chamado a emergência outras vezes”, disse. Iara, no entanto, acabou presa sob acusação de ter agredido o companheiro. O casal nega que a agressão tenha ocorrido. Depois de permanecer cerca de seis horas detida, a brasileira foi entregue pela polícia de Malden ao ICE. O caso havia sido revelado inicialmente pelo jornal americano The Boston Globe .
Iara estava grávida de seis semanas e três dias quando descobriu, em agosto, que os batimentos cardíacos do feto haviam parado. Ela precisou passar por um procedimento para a evacuação do útero e deveria continuar o tratamento com medicamentos.
Após ser entregue ao ICE, a brasileira foi levada a um centro de detenção de imigrantes em Burlington. Segundo seu relato, os medicamentos deixaram de ser fornecidos durante o período em que permaneceu sob custódia . “ Lá dentro você não sabe se é dia ou noite, não tem como contar as horas, e eu precisava tomar o medicamento certinho, mas eles não me davam ”, afirmou.
Iara disse ainda que desenvolveu uma infecção que dificultava seus movimentos e que dormiu no chão durante as três noites em que permaneceu detida .
Em 8 de setembro , o juiz federal Leo T. Sorokin determinou que Iara não fosse transferida para outro estado nem deportada dos Estados Unidos e ordenou sua libertação.A brasileira entrou irregularmente nos Estados Unidos pela fronteira com o México em 2021. Atualmente, possui autorização de trabalho e tem uma audiência relacionada ao pedido de asilo marcada para 2029 .
Iara vive com Gabriel em Malden. O filho dela, de seis anos, também mora com o casal. Gabriel possui green card, que garante residência permanente nos Estados Unidos, desde 2024.A brasileira agora responde em liberdade à acusação de agressão ao companheiro e aguarda uma decisão sobre sua situação migratória.
“ O Gabriel não estava dizendo ‘ei, prendam ela, ela está me machucando’. Ele estava dizendo ‘ei, ajudem ela’ ”, afirmou Todd Pomerleau, advogado de Iara, à Folha.
O defensor disse ainda que Iara e Gabriel planejavam se casar e estavam se preparando para a chegada do bebê. “Eles estavam animados para serem pais novamente, ter uma família e se casarem em breve.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jovempan.com.br — o conteúdo pertence a Jovem Pan.