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Bebê morto em Caracaí sofreu ferimentos na cabeça, pescoço, fígado e região íntima

Por Redação 5News · · com informações de G1
Bebê morto em Caracaí sofreu ferimentos na cabeça, pescoço, fígado e região íntima

Criança de 1 ano morre com múltiplos ferimentos em Caracaraí; pais estão sob investigação

Um bebê de apenas um ano e dois meses faleceu em Caracaraí, no sul de Roraima, após sofrer ferimentos graves em diferentes partes do corpo. O laudo do Instituto Médico Legal, divulgado nesta quarta-feira, apontou que lesões localizadas na cabeça foram a causa determinante da morte de Alisson Ruan Terto da Silva. O pai da criança, Ronisson Terto da Silva, com 29 anos, e a madrasta, Ana Júlia Borges Felipe, de 18 anos, foram presos inicialmente sob suspeita de maus-tratos. Com o resultado do exame legista, a investigação foi ampliada e os dois passam agora a ser investigados pela Polícia Civil pela prática de homicídio qualificado.

Os ferimentos descobertos no laudo

O exame realizado pelo Instituto Médico Legal revelou um quadro perturbador de agressões. Além das duas lesões graves na cabeça que levaram ao óbito, o corpo do bebê apresentava ferimentos em pescoço, fígado, região torácica, pernas e também na região íntima. A extensão e a localização dos ferimentos despertaram preocupação das autoridades quanto à possibilidade de o caso configurar também a prática de tortura.

Um aspecto particularmente relevante apontado pelo laudo foi a identificação de marcas de unhas espalhadas por diferentes partes do corpo da criança, incluindo na área genital. Conforme explicado pela delegada Ariane Zanette, responsável pela investigação, a presença desses ferimentos variados sugere um padrão de agressão que merece análise detida.

A delegada destacou ainda que as lesões identificadas apresentavam diferentes estágios de evolução. Algumas marcas eram recentes, enquanto outras já se encontravam em processo de cicatrização, indicando que os ferimentos não ocorreram todos no mesmo momento. Essa constatação permite aos investigadores estabelecer uma linha temporal das agressões e confrontá-la com informações colhidas durante depoimentos e demais etapas da investigação.

Segundo a delegada, a lesão identificada na cabeça como responsável direta pela morte é temporalmente compatível com os relatos sobre o momento em que a criança começou a apresentar sinais de parada respiratória. Essa correlação temporal reforça a importância do laudo para o prosseguimento das investigações.

Como o caso veio à tona

O bebê chegou ao posto de saúde Nilza da Silva Souza, localizado no bairro Santo Antônio, já sem sinais vitais na tarde de terça-feira. Funcionários da unidade de saúde imediatamente acionaram a Polícia Militar ao perceberem os múltiplos hematomas visíveis no corpo da criança.

Os policiais militares que atenderam ao chamado confirmaram a presença dos ferimentos contundentes no bebê e acionaram tanto o Conselho Tutelar quanto a abertura de inquérito para apuração dos fatos. Nessa fase inicial, a Polícia Militar solicitou a realização de perícia e a necropsia a ser realizada pelo Instituto Médico Legal.

Conforme relato dado aos policiais militares, o pai alegou ter oferecido comida ao filho e o colocado para dormir. Horas depois, ao tentar acordar a criança, o casal afirmou ter percebido que ela não estava respirando e apresentava descoloração da pele. Segundo a versão apresentada, o pai e a madrasta disseram ter contatado o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Diante do que alegaram ser uma demora no atendimento, informaram ter levado a criança ao posto de saúde utilizando uma motocicleta.

Posição dos investigados

Quando interrogados sobre os ferimentos encontrados no corpo de Alisson, o pai e a madrasta negaram qualquer envolvimento direto na morte da criança. Ambos afirmaram, no entanto, não possuir explicação sobre a origem das múltiplas lesões encontradas no corpo do menino. A falta de explicação convincente, aliada aos achados do laudo, intensificou as suspeitas dos investigadores.

Mesmo após a negativa inicial, a mudança na classificação do crime de maus-tratos para homicídio qualificado representa um avanço significativo na investigação. A delegada Ariane Zanette ressaltou a importância dos resultados periciais, afirmando que agora dispõem de elementos concretos para aprofundar a análise das circunstâncias que levaram à morte da criança.

Contexto da investigação

A morte de uma criança pequena em contexto doméstico envolve sempre investigações delicadas e abrangentes. Quando há suspeita de violência, a Polícia Civil trabalha em conjunto com órgãos de proteção à infância, como o Conselho Tutelar, para garantir que todas as circunstâncias sejam adequadamente investigadas.

O Instituto Médico Legal desempenha papel fundamental nesses casos, fornecendo informações técnicas através de laudos periciais que permitem aos investigadores compreender exatamente como e quando ocorreram as lesões. A análise dos diferentes estágios de cicatrização, como constatado neste caso, é essencial para determinar se houve padrão de agressão contínua ou se as lesões ocorreram isoladamente.

A possibilidade de qualificação do crime como tortura agrava significativamente o enquadramento legal. A tortura, conforme definido pela legislação brasileira, envolve a imposição deliberada de sofrimento físico ou psicológico com propósitos específicos, e sua caracterização depende da análise conjunta de todos os elementos do caso.

O casal investigado permanece em custódia da Polícia Civil enquanto prosseguem as investigações. O fato de o pai ser o genitor da criança e de a madrasta viver no ambiente familiar posiciona ambos como pessoas com responsabilidade de proteção e cuidado à criança, conforme estabelecido por lei.

O que acompanhar

As próximas etapas da investigação incluem o aprofundamento da análise das lesões catalogadas e a tentativa de estabelecer com clareza a sequência temporal dos ferimentos. Os investigadores também devem confrontar a versão apresentada pelo casal com informações técnicas coletadas, buscando inconsistências que possam esclarecer os eventos que levaram à morte do menino.

Será importante acompanhar se novas evidências emergem durante a investigação, incluindo possíveis registros de chamadas ao Samu, testemunhas que possam ter visto a criança nos dias anteriores à sua morte, ou qualquer outra informação que permita reconstruir os eventos. A delegada também indicou a necessidade de analisar todos os elementos já reunidos no procedimento para fortalecer o inquérito.

A possível qualificação do caso como tortura, caso confirmada, implicaria em consequências legais ainda mais graves para os investigados. Esse aspecto da investigação merece especial acompanhamento, já que envolve questões técnicas complexas sobre a intenção e o padrão de agressão.

Principais pontos:

• Bebê de 1 ano e 2 meses morreu após sofrer lesões graves na cabeça, pescoço, fígado e região íntima, com múltiplas marcas de unhas no corpo

• Pai e madrasta foram presos por maus-tratos e agora investigados por homicídio qualificado após resultado do laudo do Instituto Médico Legal

• Ferimentos apresentavam diferentes estágios de cicatrização, indicando agressões em momentos distintos, conforme análise da delegada Ariane Zanette

• Caso também é investigado como possível crime de tortura, e investigados negam envolvimento mas não conseguem explicar origem das lesões

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Matéria produzida pela Redação 5News com apoio de inteligência artificial a partir da apuração de G1 — os fatos do episódio vêm da matéria original; o contexto usa informação pública consolidada. Veja nossa política editorial. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1.

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