Empresa digitalizou só 9% de prontuários, mas recebeu 11x mais do que produziu
A Redvalue Tecnologia, Administração e Serviços digitalizou apenas 9% de páginas de prontuários da Santa Casa, mas recebeu o valor total do serviço.
Em 14 meses, de janeiro de 2025 a fevereiro de 2026, conforme dados do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), a empresa investigada na Operação Antidotum, transformou apenas 3.818.695 páginas de papel em arquivo digital.
A meta era 42 milhões.
Apesar disso, ela recebeu o valor integral mês a mês, totalizando R$ 2,1 milhões, mas deveria ter embolsado apenas R$ 190.934,75.
Conforme o Gecoc, “até 18/02/2026 foram digitalizadas apenas 3.818.695 páginas, o que totaliza R$ 190.934,75.
Ressalte-se que, nos termos (do contrato), a capacidade estimada prevista por mês era de 3.000.000 páginas, parâmetro utilizado para justificar o pagamento mensal de R$ 150.000,00”.
Há destaque ainda para o fato de que “não obstante a baixa produção registrada, apurou-se que os pagamentos à empresa contratada foram realizados de forma integral pela Diretoria da Santa Casa, sem a correspondente execução dos serviços, o que demonstra elevado desvio de recursos públicos”.
As informações são do pedido de prisão feito pela 29ª Promotoria de Justiça de Campo Grande e pelo Gecoc, que detalha as ações do grupo e aponta o papel da presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima, no esquema.
Ela assumiu a diretoria no mês de fevereiro de 2023.
O Gecoc relata que a presidente sustentou o contrato de serviço da Redvalue, mesmo depois que o Conselho Fiscal do hospital recomendou a suspensão do trabalho de digitalização por encontrar irregularidades, mas Alir não acatou.
E mais que isso.
Ao ser chamada a dar explicações sobre o contrato à 32ª Promotoria de Saúde, Alir Terra tentou justificar a suposta vantagem da contratação, mencionando "falsamente a existência de outros sistemas que seriam entregues pela empresa", mas que "não guardam qualquer relação com o objeto do contrato investigado".
"Trata-se, portanto, de tentativa de conferir aparência de maior complexidade e vantagem econômica a uma contratação que, na realidade, possui objeto delimitado e específico, utilizada para desviar dinheiro público", é taxativo o Gecoc.
Dissimulação - Além disso, o Same (Serviço de Arquivo Médico e Estatística) da Santa Casa, nas pessoas da supervisora Monique Gregório, do fiscal do contrato, Alessandro Dias Junqueira e o gestor, Rinaldo Romano (todos presos), atestaram falsamente que o objetivo estava sendo atingido pela empresa e ainda apresentou pedido de aditivo na contratação à Coordenação de Custos.
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