Juíza que acusou Israel de genocídio ganha o Nobel da Paz
Filha de um motorista de ônibus, de família de origem indiana tâmil, Pillay nasceu em Durban em 1941, sob o apartheid, o regime de segregação racial sul-africano. Em 1967, tornou-se a primeira mulher a abrir um escritório de advocacia na província de Natal. Defendeu militantes antiapartheid e conseguiu que presos políticos da ilha de Robben, entre eles Nelson Mandela, tivessem acesso a advogados.
Depois do fim do regime, foi juíza e presidente do tribunal da ONU que julgou o genocídio de Ruanda. Lá, ajudou a firmar o entendimento de que o estupro pode constituir ato de genocídio. Também foi juíza do Tribunal Penal Internacional, corte permanente que julga crimes de guerra, e alta comissária da ONU para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014. Mais recentemente, presidiu a comissão de inquérito da ONU que concluiu, em 2025, que Israel cometeu genocídio em Gaza. Israel rejeitou o relatório. Hoje ela atua como juíza na Corte Internacional de Justiça no caso em que Mianmar é acusado de genocídio contra a minoria rohingya.
Ao justificar a escolha, o presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes, disse que o sistema de direito internacional está sob forte pressão e que suas instituições são atacadas. Questionado, afirmou que o prêmio é um recado a quem tenta enfraquecê-las. O governo Trump impôs sanções a juízes e promotores do Tribunal Penal Internacional e, no mês passado, pediu que os países deixem a corte.
Pillay soube da notícia no tribunal de Nuremberg, na Alemanha, onde participava de um encontro sobre direito internacional. Sob aplausos, brincou: "Se aplaudirem um pouco mais, talvez eu divida o prêmio com Trump". A frase alude à venezuelana María Corina Machado, vencedora de 2025, que em janeiro deu sua medalha ao presidente americano, que reivindica o prêmio abertamente. Pillay é a quinta sul-africana premiada, depois de Albert Lutuli, Desmond Tutu, Nelson Mandela e Frederik de Klerk. A cerimônia será em 10 de dezembro.
Três sauditas, entre eles um piloto da companhia aérea Saudia, morreram em dois ataques ao aeroporto internacional de Riade nesta quinta-feira, segundo a autoridade de aviação civil da Arábia Saudita. Os houthis, grupo armado iemenita aliado do Irã, disseram ter usado mísseis balísticos e de cruzeiro. Foi o terceiro ataque ao aeroporto desde terça.
Os houthis intensificaram os ataques depois que a Arábia Saudita lançou uma ofensiva para retomar território sob controle do grupo no Iêmen. O grupo afirma que bombardeios sauditas atingiram nesta quinta Sanaa, a capital iemenita, além de Hodeidah e Ibb, e deixaram vítimas.
Na quarta à noite, um navio-tanque foi atingido perto do Qatar. Ninguém assumiu a autoria, mas autoridades da região atribuem o ataque ao Irã. O barril do petróleo Brent, referência internacional, subiu 4,1%, para US$ 104,27.
A guerra começou em 28 de fevereiro, com ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. Desde então, Teerã tem atingido alvos americanos e também infraestrutura civil no Golfo.
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