Pretensão de Flávio Bolsonaro à liderança não consegue apoio de aliados no Brasil
SÃO PAULO, 29 Out (Reuters) - A decisão do senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL) de se autoproclamar o “líder” legítimo do país não conseguiu angariar apoio de figuras-chave de seu campo político, deixando o parlamentar cada vez mais isolado na política brasileira.
Flávio fez essa afirmação em uma carta que publicou nas redes sociais depois de chegar aos Estados Unidos na quarta-feira, tendo deixado o Brasil após sua derrota para o presidente (PT) Luiz Inácio Lula da Silva por mais de 4 milhões de votos no segundo turno de domingo.
O senador citou o fato de um ministro do Supremo Tribunal Federal nomeado por Lula ter prorrogado o horário de votação em duas horas devido a alegações da campanha de Lula de supressão de eleitores nos Estados do Nordeste, de tendência de esquerda, por problemas de transporte público, embora a campanha de Flávio também tivesse solicitado uma prorrogação do horário de votação devido à chuva em Estados conservadores do Sul.
Ele alegou ter sido vítima de um golpe eleitoral, mas não apresentou provas de fraude eleitoral.
A vitória de Lula foi reconhecida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) -- cujo presidente, Nunes Marques, foi indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio --, por líderes mundiais, por observadores internacionais e pelo próprio PL, partido do senador.
“Não gostei”, disse o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, aos repórteres nesta quinta-feira, quando questionado sobre a carta.
“Flávio passou por uma situação difícil — nós compreendemos — mas não aprovamos. Queremos tocar o país para frente”, acrescentou depois.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), um importante aliado de Flávio que fez campanha vigorosa pelo senador, disse ao Estadão que os resultados das eleições no Brasil devem ser respeitados e que é hora de seguir em frente.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que confirmou que seu governo havia permitido a entrada de Flávio no país, recusou-se a comentar nesta quinta-feira quando questionado sobre quem ele considerava o vencedor legítimo.
“Eu acompanhei a eleição. Não tomei partido," disse ele. "O presidente, o atual presidente, me pediu que não tomasse partido.”
Aécio Neves, líder do PSDB, de centro-direita, e crítico ferrenho do PT de Lula, descreveu o comportamento de Flávio como “incompreensível” em um comunicado, acrescentando que a política de oposição deve ser conduzida de dentro do país.
O partido de centro-direita União Brasil, que apoiou o senador no segundo turno, afirmou ser essencial que as instituições “sejam maiores que as pessoas”. A eleição foi conduzida com integridade e seus resultados devem ser respeitados, acrescentou.
O MDB, de centro, que também apoiou, em sua maioria, Flávio no segundo turno, adotou um tom semelhante.
“O MDB reafirma sua total confiança no sistema eleitoral brasileiro e, portanto, na legitimidade do resultado da eleição do último domingo”, afirmou.
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