Clube questiona executivo da FFU sócio de Ronaldo; comitê sai em defesa
O CSA enviou uma notificação extrajudicial ao comitê do condomínio Forte União, em mais um capítulo da guerra nada velada sobre os poderes do investidor no bloco de clubes.
O questionamento do clube alagoano, desta vez, é pelo fato de o administrador do condomínio, Gabriel Lima, ter atuação em uma holding com Ronaldo Fenômeno. Gabriel e o comitê do condomínio rebateram a notificação.
O CSA menciona que Gabriel é sócio-fundador e membro do conselho da ODDZ Network e, nesse contexto, haveria um conflito de interesses. Com esse argumento, o clube defende o afastamento do executivo da função que tem na FFU.
No documento enviado pelo CSA, o clube alega que a holding de Ronaldo é um "grupo empresarial cujo objeto se comunica diretamente com o do condomínio, com o dos Condôminos e com o dos agentes com os quais o condomínio contrata".
Em seguida, emenda: "Isso é, por definição, um conflito de interesses - e conflito de interesses não se resolve pelo silêncio, mas pela divulgação, pelo exame e, quando for o caso, pelo afastamento".
O CSA menciona que a Octagon Latam, agência do grupo de Ronaldo que gerencia, assessora com marcas como Mercado Livre, Ambev, Red Bull e Mastercard. Há também agenciamento de jogadores, como Rodrygo, Gabriel Jesus e Rodrigo Garro — que joga no Corinthians, um dos membros atuais do condomínio da FFU.
Na atuação do grupo do Fenômeno com as empresas, o documento do CSA cita:
A denúncia apresentada pelo CSA também faz referência a uma resposta recente da FFU a uma solicitação feita pelo CRB. Segundo o clube alagoano, o arquivo enviado pela entidade tinha, em suas propriedades digitais, a identificação de Marco Farah, executivo da ODDZ Network, empresa ligada a Ronaldo Fenômeno.
Para o CSA, o caso levanta a suspeita de que documentos e informações fornecidos pelos clubes à FFU estejam sendo compartilhados com empresas privadas que não fazem parte diretamente da operação, sem que as agremiações tenham conhecimento ou tenham autorizado esse acesso.
Gabriel recebeu apoio do comitê do condomínio Forte União e também se defendeu da acusação em nota enviada ao UOL. O executivo disse que "divergências fazem parte de uma estrutura dessa natureza" (FFU). Mas, segue ele, "transformá-las em suspeitas sobre a minha integridade, por meio de insinuações levadas à imprensa sem a apresentação de fatos concretos, revela falta de compromisso com a verdade e com a reputação das pessoas envolvidas".
Gabriel Lima já trabalhou com Ronaldo Fenômeno na gestão do Valladolid e também como CEO do Cruzeiro. Além disso, ele foi CEO do Coritiba antes de assumir a função na FFU.
A discussão sobre a atuação dele e do investidor do bloco, a Sports Media Entertainment (SME), faz parte de uma briga que tem como contexto a iniciativa da CBF de organizar a liga única no futebol brasileiro.
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