Estoque de imóveis de baixa renda bate recorde em SP e acende novo alerta para ações
O mercado imobiliário de baixa renda em São Paulo apresentou um sinal de alerta para investidores após os lançamentos voltarem a superar com folga as vendas, elevando o estoque de unidades a um nível recorde.
Em relatório, os analistas do Goldman Sachs destacaram que os dados de agosto mostram uma deterioração dos indicadores de velocidade de vendas no segmento econômico, justamente em um momento em que a demanda vem sendo impactada por restrições de crédito da Caixa Econômica Federal.
Segundo o banco, as vendas de imóveis de baixa renda na capital paulista permanecem em patamares saudáveis, somando cerca de 8 mil unidades em agosto, o segundo maior volume do ano.
O problema está na oferta: os lançamentos atingiram aproximadamente 14 mil unidades no período, ampliando uma tendência observada desde meados de 2024.
No acumulado dos últimos 12 meses, os lançamentos chegaram a 107 mil unidades, enquanto as vendas totalizaram 85 mil.
Como consequência, o estoque disponível avançou para 59 mil unidades, o maior nível da série histórica.
O aumento da oferta também elevou o indicador de meses de estoque para 8,4 meses, o maior patamar desde o início de 2023 e acima da média histórica de aproximadamente sete meses.
Já a relação entre vendas e oferta recuou para 60%, distante do pico de 68% registrado em meados de 2025.
Leia também Ibovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa sobe com novas pesquisas e força no exterior Bolsas dos EUA sobem com quedas dos preços do petróleo A pressão está concentrada principalmente nos imóveis com preços entre R$ 275 mil e R$ 400 mil.
Nessa faixa, foram vendidas 5,6 mil unidades em agosto, enquanto os lançamentos chegaram a 9,6 mil unidades.
O estoque acumulado alcançou 43,7 mil unidades, alta de 85% na comparação anual.
Já os imóveis abaixo de R$ 275 mil somam estoque de 24 mil unidades, avanço de 39% em um ano.
Para o Goldman, os números merecem atenção especialmente para incorporadoras com forte presença no segmento econômico de São Paulo, como Cyrela ( CYRE3 ; por meio da marca Vivaz) e Cury ( CURY3 ), embora o banco afirme que ainda monitora se a deterioração dos indicadores terá impacto material sobre as vendas e a rentabilidade das companhias.
O relatório também mostra que setembro foi um mês difícil para boa parte das construtoras listadas, mesmo com a queda dos juros de longo prazo.
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