Eleições Presidenciais: Entenda do que se trata o legado deixado pela Cambridge Analytica, que atuou em consultorias no contexto de eleições a nível mundial entre 2013 e 2018
O Intercept Brasil fez recentemente uma matéria informando que a campanha de Flávio Bolsonaro contratou a empresa Elytron, de tecnologia da informação que, segundo um denunciante, utiliza inteligência artificial para gerar vídeos falsos, entre outras estratégias de manipulação da opinião pública no contexto eleitoral.
O fato acende um alerta, principalmente por lembrar um caso já investigado e julgado, que foi o da Cambridge Analytica – a empresa que influenciou os resultados de campanhas eleitorais em diversas partes do mundo, incluindo a de Donald Trump nos Estados Unidos e o plebiscito Brexit na Inglaterra, em 2016.
As tecnicas utilizavam uma combinação de mineração de dados em massa, mapeamento psíquico-comportamental, e microdirecionamento (ou microtargeting).
O processo se dava através de coleta massiva de dados, em grande parte via Facebook.
Por exemplo, a empresa obteve dados de perfis de até 87 milhões de usuários do Facebook por meio de um aplicativo de teste de personalidade desenvolvido por um jovem cientista do Departamento de Psicologia da Universidade de Cambridge.
Para além do que se propôs o teste, o alcance da coleta de dados foi mais amplo porque, ao aceitar os “termos de uso” a pessoa concedia não apenas a permissão para acesso aos seus dados, como também os dados de toda sua rede de contatos.
Embora a estratégia de coleta de dados tenha sido amplamente divulgada, debatida e mesmo tendo resultado em sanções jurídicas e iniciativas legislativas, o ambiente digital ainda hoje não está livre de fraudes e descumprimento de regulamentações, uma vez que fica a cargo da empresa, garantir ou não, o cumprimento das regras e a segurança das interações na plataforma.
No documentário Privacidade Hackeada (2019), Julian Wheatland, COO da CA lamentou que a empresa estava sendo criminalizada e forçada a desaparecer, enquanto as técnicas utilizadas continuariam ativas, e o aprendizado gerado seria distribuído à outras iniciativas.
Ou seja, a extinção da CA facilitou a difusão e utilização de suas estratégias, uma vez que elas foram elaboradas para se espalharem em ações online e offline, tornando difícil comprovar a ligação dos mentores do planejamento com as ações efetivadas.
Eximindo-os, consequentemente, das responsabilizações cabíveis.
Porém, o caso da CA foi revelado em detalhes através de um furo jornalístico da Channel 4 inglesa, publicado em 19 de março de 2018.
Um agente se passou por cliente e filmou secretamente as reuniões, onde a equipe de executivos da CA explicava que eleições se ganham através de engajamento das emoções, e não apresentando aos eleitores fatos a serem analisados.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistaforum.com.br — o conteúdo pertence a Revista Fórum.