Crusoé: Xi chega forte à reunião com Trump
China chega ao encontro com Trump fortalecida pelo comércio, enquanto EUA negociam tarifas, terras raras e regras para IA
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR A reunião de cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping, marcada para 24 de setembro em Washington, começa com uma mudança no equilíbrio econômico entre Estados Unidos e China. Nos quatro meses desde o último encontro, as exportações chinesas avançaram e o superávit comercial caminha para superar 1 trilhão de dólares pelo segundo ano consecutivo.
Isso explica por que a reunião tende a ser mais voltada à administração das divergências do que a um acordo. A trégua comercial firmada no ano passado evitou uma escalada de tarifas e restrições, mas tem validade somente até 10 de novembro.
A questão central é saber se Trump e Xi conseguirão prolongá-la e criar mecanismos para reduzir barreiras em setores menos sensíveis. Produtos agrícolas, energia, bens de consumo e itens médicos estão entre os temas que devem ser debatidos.
O elemento novo é a inteligência artificial. Em Nova York, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, e o vice-premiê chinês He Lifeng concordaram em criar um canal para discutir riscos da tecnologia.
A proposta americana inclui comunicação sobre incidentes de inteligência artificial que possam envolver segurança nacional. É uma área em que os dois países competem diretamente, mas na qual um acidente ou uso malicioso pode produzir efeitos além de suas fronteiras.
As terras raras também limitam o espaço para uma disputa mais agressiva . A China responde por até 70% da mineração mundial e mais de 85% do refino, além da maior parte da produção de ímãs, essenciais para eletrônicos, veículos e equipamentos de defesa. O controle chinês dá a Pequim uma ferramenta de pressão em setores nos quais Washington tenta reduzir sua dependência.
Taiwan também deve aparecer. Em maio, o tema já ocupou parte do encontro em Pequim, sobretudo o envio de armas à ilha e o alcance do compromisso americano de defesa. Uma trégua comercial pode conviver com essa tensão, mas qualquer gesto que pareça tratar a questão como peça de negociação tende a inquietar aliados na Ásia e a estreitar o espaço de manobra em Washington às vésperas das eleições. Por isso, um caminho possível é os dois lados registrarem a divergência sem tentar resolvê-la nesta cúpula.
Há, porém, um problema que a cúpula não deve resolver. Uma trégua entre Washington e Pequim pode reduzir novas barreiras entre as duas maiores economias, mas não elimina o movimento de proteção que se espalhou pela Ásia. Governos da região também erguem obstáculos para defender a indústria local. Por isso, mesmo que Trump e Xi recuem nas tarifas bilaterais, a reunião não deve interromper essa tendência.
Para Trump, às vésperas das eleições de meio de mandato e desgastado com…
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