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Juíza barra norma que implementa plano de Trump para restringir voto por correio

UOL Notícias ·
Juíza barra norma que implementa plano de Trump para restringir voto por correio

BOSTON, 28 Ago (Reuters) - Uma juíza federal impediu na quinta-feira que o Serviço Postal dos EUA (USPS) implementasse partes essenciais de uma ​nova regra adotada sob orientação do presidente ​Donald Trump que tornaria mais rigorosos os requisitos para o voto por correio antes das eleições legislativas de novembro.

A juíza federal Indira Talwani, de Boston, emitiu uma liminar ​a pedido de Estados ⁠governados por ​democratas e de grupos de defesa do direito ao ⁠voto, depois que a Suprema Corte dos ​EUA proferiu, na segunda-feira, uma decisão que levou ao levantamento de liminares anteriores que bloqueavam os planos de Trump de restringir o ‌voto por correspondência.

Essa decisão levou a ‌um esforço ​frenético por parte de dezenas de procuradores estaduais democratas e de grupos de defesa do direito ao voto — incluindo a Liga das Mulheres Eleitoras — para ‌retomar sua batalha judicial e garantir uma ordem que impedisse o USPS de aplicar uma regra que foi autorizada a entrar em vigor na quarta-feira.

Na decisão de quinta-feira, Talwani afirmou que a regra corria o risco de impedir que os cidadãos votassem pelo correio, a menos que os Estados obtivessem a aprovação do Serviço Postal para os envelopes utilizados para esse fim e enviassem as ‌informações de cada eleitor para um portal eletrônico administrado pela agência.

A juíza afirmou que a agência não apresentou nenhuma evidência relativa a ​fraudes no voto por correspondência que justificasse tal regra, a qual, segundo ela, provavelmente era ilegal e foi ‌adotada em violação à Constituição dos Estados Unidos, que confere aos Estados a autoridade para administrar as eleições.

“O interesse do USPS em corrigir um ‌problema sem fundamento por meios ‌provavelmente inconstitucionais é insignificante diante do risco avassalador de privação generalizada do direito de voto dos cidadãos ⁠que precisam ter acesso às cédulas eleitorais enviadas pelo correio para poder votar”, escreveu ela.

A ordem de restrição emitida por Talwani permanecerá em vigor por 14 dias, enquanto ela avalia a possibilidade de emitir uma liminar de longo prazo ​bloqueando a regra. A ​juíza, nomeada pelo presidente democrata Barack Obama, planeja decidir sobre isso durante uma audiência em 3 de setembro.

“A ordem de hoje suspende temporariamente uma tentativa ilegal de usurpação de poder que causaria caos e confusão para os milhões de eleitores que dependem das cédulas eleitorais enviadas pelo correio”, afirmou Sophia Lin Lakin, advogada dos grupos de defesa do direito ao ⁠voto da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), em comunicado.

A Casa Branca e o USPS ​não responderam imediatamente a pedidos de comentário.

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