PL resiste à reeleição de Motta, que articula reação com Centrão e esquerda
O Republicanos apresentou uma lista de demandas a Flávio Bolsonaro durante as tratativas que selaram o apoio do partido ao candidato à Presidência da República. Uma das propostas levadas à mesa de negociação foi que o PL reprise a aliança feita em 2025, quando Hugo Motta (Republicanos-PB) se elegeu presidente da Casa com uma frente ampla que uniu a esquerda e a direita.
A proposta, ao menos por ora, foi descartada. Na conversa, conforme relatos, o coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), defendeu que os partidos de centro se unam e apresentem um candidato — mas que não seja Hugo Motta. Marinho disse que o atual presidente da Câmara enfrenta resistência da direita citando, entre os motivos, a decisão de barrar o avanço da anistia aos condenados pelo 8 de janeiro e, por outro lado, de avalizar a votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a jornada 6x1, uma das apostas para a reeleição do presidente Lula (PT).
O deputado paraibano não participou do evento que sacramentou o apoio do Republicanos a Flávio, na última quarta-feira (7). Na ocasião, o presidente do partido, deputado Marcos Pereira (SP), afirmou que respeitaria as "particularidades locais" que impedissem a adesão na campanha do senador, citando os estados da Paraíba e de Pernambuco.
Hugo Motta prepara uma estratégia para driblar a resistência do PL, que deve ser mantida caso Flávio seja ou não eleito presidente, para garantir a sua recondução no comando da Câmara na disputa de fevereiro do próximo ano.
Aliados de Motta trabalham desde já para costurar o apoio de partidos do Centrão e da esquerda, isolando o PL.
A ideia é repetir o feito de Arthur Lira (PP-AL) no início do mandato de Lula. Na ocasião, o deputado alagoano garantiu a reeleição no comando da Câmara ao amarrar o apoio do PL e dos partidos de centro, pressionando o PT a embarcar na aliança para não ficar isolado. O partido, ao fim, aderiu à campanha de Lira.
Dentro do Republicanos, a expectativa é a de que o presidente Lula, independentemente do resultado da eleição, manterá o apoio a Motta em 2027.
O Republicanos vislumbra ocupar espaços privilegiados em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. O deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), que comanda a bancada ruralista, é um dos nomes para ocupar o Ministério da Agricultura.
Outro possível "ministeriável" seria o próprio presidente do partido, Marcos Pereira, que foi ministro da Indústria e Comércio no governo de Michel Temer. Agora, a legenda está de olho principalmente na Infraestrutura, pasta que foi comandada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, durante o governo de Jair Bolsonaro.
Outra "menina dos olhos" seria a pasta da Justiça e da Segurança Pública, mas somente se não houver um desmembramento do órgão.
Nos bastidores, aliados do presidente do Republicanos afirmam ainda que o sonho dele é ocupar uma cadeira de ministro no STF (Supremo Tribunal Federal).
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