O veto na ONU mantém cinco governos acima da humanidade
Nas últimas semanas, o Reino Unido aderiu à iniciativa franco-mexicana que propõe a restrição voluntária do veto no Conselho de Segurança diante de genocídios, crimes contra a humanidade e crimes de guerra em larga escala.
Tornou-se o segundo membro permanente, depois da França, a assumir esse compromisso.
A decisão britânica não extingue o privilégio nem altera a Carta da ONU, mas abre uma fissura política na arquitetura de poder criada em 1945.
Qualquer amante da humanidade, qualquer pessoa de boa vontade ou simplesmente bem-intencionada pode ver à luz do dia a contradição moral devastadora das Nações Unidas, e venho denunciando-a há muitos anos em meus artigos: a organização concebida para impedir que a humanidade voltasse a conhecer os horrores da Segunda Guerra Mundial entregou a cinco potências o poder de paralisar decisões destinadas a preservar a paz.
O direito de veto nasceu como privilégio político e transformou-se num mecanismo permanente de submissão da segurança coletiva aos interesses dos mais poderosos.
Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França conservam, há oito décadas, uma prerrogativa que desafia qualquer concepção democrática de governança mundial.
A Assembleia Geral reúne praticamente todas as nações do planeta, mas o Conselho de Segurança, responsável pelas decisões obrigatórias sobre paz e segurança internacionais, pode ser imobilizado pelo voto contrário de apenas um de seus cinco membros permanentes.
A vontade coletiva esbarra na conveniência de um único governo.
Considero especialmente revoltante que esses mesmos países ocupem posições privilegiadas na indústria mundial de armamentos.
Cinco maiores exportadores de armas Segundo o Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo (SIPRI), quatro deles figuraram entre os cinco maiores exportadores de armas do planeta entre 2021 e 2025.
O Reino Unido ocupou a oitava posição.
Os Estados Unidos, sozinhos, responderam por 42% das exportações mundiais de grandes armamentos.
Estamos diante de uma concentração extraordinária de poder militar, econômico e diplomático nas mãos de quem possui autoridade para bloquear decisões internacionais.
Não desconheço o direito legítimo das nações à defesa.
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