Atraso nas importações de fertilizantes levanta dúvidas sobre demanda
As importações brasileiras de fertilizantes apresentaram queda nos primeiros nove meses de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, indicando uma postura mais cautelosa dos importadores, que têm reduzido os volumes adquiridos e priorizado produtos conforme as condições de preço, custo-benefício e disponibilidade no mercado internacional.
Segundo Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o movimento ocorre em diferentes segmentos, incluindo fertilizantes fosfatados e nitrogenados.
No caso dos fosfatados, a elevação dos preços do enxofre desde o início do conflito no Oriente Médio tem pressionado o mercado e contribuído para a redução das compras.
Entre janeiro e setembro de 2026, as importações brasileiras de MAP ( fosfato monoamônico ) recuaram aproximadamente 15% em relação ao mesmo período do ano anterior.
No caso do SSP (superfosfato simples), a queda foi de 24%.
Leia Mais Entregas de fertilizantes caem 14,7% em maio e produção nacional recua 26% Entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro caem 22,3% em julho Fertilizantes seguem caros e demanda deve cair no Brasil, diz Rabobank A redução nas compras de SSP também está relacionada às condições de produção no mercado interno.
De acordo com Pernías, a valorização do enxofre levou uma grande fabricante brasileira de fertilizantes a diminuir a produção do produto nos últimos meses.
Nitrogenados O movimento de retração também alcança os fertilizantes nitrogenados, importantes para a preparação da próxima safrinha de milho.
Entre janeiro e setembro de 2026, as importações de ureia ficaram 21% abaixo do volume registrado no mesmo período de 2025.
Para o NAM (nitrato de amônio), a redução foi de 32%, enquanto as compras de sulfato de amônio recuaram 18,5%.
A queda ocorre mesmo com o sulfato de amônio ganhando participação na pauta de importações brasileiras nos últimos anos.
Na avaliação do analista, os volumes menores de nitrogenados indicam que os importadores ainda podem precisar buscar novas cargas no mercado internacional para recompor os estoques antes do início do plantio da safrinha.
Atraso nas compras e disponibilidade “Cresce o receio de que esse atraso nas importações seja, na realidade, uma destruição de demanda”, afirma Pernías, ao apontar os preços elevados, a volatilidade internacional e as relações de troca pouco favoráveis como fatores que podem influenciar as aquisições.
Segundo Pernías, ainda não está claro se as compras foram apenas adiadas ou se parte da demanda deixou de se concretizar em razão dos preços elevados, da volatilidade internacional e das relações de troca pouco favoráveis ao produtor.
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