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Dark Horse: Entenda os documentos da polícia de SP com sigilo levantado

UOL Notícias ·
Dark Horse: Entenda os documentos da polícia de SP com sigilo levantado

O ministro do STF Flávio Dino retirou neste domingo (13) o sigilo de todo o material compartilhado pela Polícia Civil de São Paulo sobre a investigação envolvendo uma ONG ligada à produtora do filme "Dark Horse".

O acervo com sigilo levantado tem cerca de 5.000 páginas. No despacho que retirou o sigilo do material, Dino menciona a hipótese de que o deputado federal Mario Frias (PL-SP) "ocuparia um papel de liderança na suposta arquitetura criminosa."

A decisão cita repasses de Frias à Go Up com valores que seriam "materialmente incompatíveis" com o patrimônio e rendimentos dele. Para o ministro, essas transferências colocam o deputado como "participante ativo da engrenagem financeira" sob investigação.

Um organograma apreendido pela Polícia Civil de SP também identifica uma pessoa chamada Mario como sócia da Go Up nos Estados Unidos. Os autos não informam quem elaborou o desenho, mas ele aparece em meio a documentos apreendidos durante cumprimento de mandado na casa de suspeitos no caso.

A Polícia Civil também identificou dezenas de notas fiscais irregulares no contrato de fornecimento de wi-fi para a Prefeitura de São Paulo. O ICB (Instituto Conhecer Brasil), presidido por Karina da Gama, produtora de "Dark Horse" fechou um acordo de R$ 157 milhões com a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia e subcontratou empresas para executar o serviço. Há notas canceladas, com a mesma data, mesma sequência numérica e prazos idênticos de vencimento, sem comprovação do serviço prestado. Uma auditoria da própria prefeitura já havia identificado R$ 13 milhões em notas fiscais irregulares na prestação de contas da ONG.

A investigação também aponta possivel enriquecimento indevido de R$ 26 milhões "à custa do erário paulistano" por serviços não executados pelo ICB. "O escoamento das verbas públicas supostamente desviadas teria ocorrido por meio de uma complexa teia de subcontratações com empresas privadas sob a gerência e o domínio direto de pessoas ligadas à representante da entidade", diz a polícia.

Os documentos divulgados hoje também revelam que a polícia pede à Justiça paulista, desde maio, acesso a dados do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) de Karina. A solicitação foi feita pelo menos quatro vezes. A apuração ficou travada, e só agora, com a decisão de Dino, as movimentações financeiras poderão ser analisadas.

O inquérito foi aberto pela Polícia Civil em 31 de março de 2026 para apurar possíveis irregularidades no contrato da Prefeitura de São Paulo com o ICB. Mesmo sem experiência prévia na área, a ONG foi contratada para instalar 5.000 pontos de wi-fi em diversas regiões da capital. O ICB também subcontratou outras empr esas e organizações sociais para executar o serviço.

No dia 1° de junho, a Polícia Civil realizou a Operação "Wi-fi Livre", que cumpriu mandados de busca e apreensão nos endereços da Karina, da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, do ICB e das empresas subcontratadas.

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