Normalizamos a corrupção?
Do processo eleitoral que se encerra no próximo domingo, com a escolha do presidente da República e dos governadores nos estados onde haverá segundo turno, fica pelo menos uma impressão preocupante: a corrupção parece ter perdido força como critério de escolha para parte do eleitorado.
É vergonhoso e repugnante, mas é preciso encarar essa realidade.
Tanto em nível nacional quanto estadual, esse deveria ter sido um tema capaz de derrubar candidaturas.
Os escândalos envolvendo o Banco Master lá e a Operação Ptolomeu cá deveriam ter provocado repercussão política muito mais ampla.
Desvios éticos importantes de candidatos parecem ser “relevados” com muita facilidade.
Imagino isso acontecendo no Japão! No Brasil, a corrupção e desvios éticos parecem ter se tornado tão recorrentes nos escalões superiores que muitos eleitores passaram a tratá-la como parte inevitável da política.
O risco é que se consolide uma espécie de resignação do tipo “são todos corruptos mesmo; quero saber o que recebo em troca”.
Mas é justamente nesse ponto que surge a pergunta: como acreditar em uma nação que parece passar a mão na cabeça de quem desvia ou usa indevidamente o dinheiro público, ou mente em declaração formal à justiça? Para compreender a gravidade desse problema, é necessário falar de ética pública.
Ela não se limita à honestidade pessoal de quem ocupa um cargo.
Refere-se ao conjunto de princípios que deve orientar o exercício do poder e o uso dos recursos coletivos.
Liste-se a probidade, transparência, imparcialidade, responsabilidade e compromisso com a verdade e o bem comum.
Na vida pública, o mandato não é propriedade de quem o exerce, ele é uma função confiada por prazo determinado, em nome da sociedade.
Algumas notas filosóficas para guiar a leitura: Aristóteles ajuda a compreender essa dimensão ao defender que a política deve orientar-se pelo bem comum.
O exercício do poder não deveria servir à vantagem particular de governantes, partidos ou grupos, mas à construção de condições para uma vida coletiva justa.
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