A torre medieval construída sobre terreno instável que começou a inclinar ainda durante as primeiras etapas de sua construção
Erguida sobre solo frágil, a famosa torre italiana começou a inclinar ainda na Idade Média e se tornou um ícone da engenharia
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Na cidade italiana de Pisa, uma torre sineira medieval se transformou em um dos monumentos mais famosos do mundo justamente por causa de um problema estrutural que surgiu quase no começo da obra. A Torre de Pisa começou a inclinar ainda durante a construção , porque foi erguida sobre um terreno macio e com fundação rasa, mas acabou sobrevivendo por séculos e se tornou um caso clássico de engenharia, arquitetura e conservação patrimonial.
A Torre de Pisa é o campanário da catedral da Piazza del Duomo, conjunto monumental medieval hoje reconhecido pela UNESCO. Sua construção começou em 1173, em um período de prosperidade da antiga república marítima de Pisa, e a ideia original era erguer uma torre vertical de mármore, como tantas outras torres sineiras italianas da época.
O problema apareceu cedo. Quando a obra chegou por volta do terceiro nível, por volta de 1178, a estrutura já dava sinais claros de inclinação, porque a fundação, com cerca de 3 metros de profundidade, havia sido implantada sobre um subsolo instável de argila, areia fina e sedimentos marinhos, incapaz de sustentar o peso de maneira uniforme.
O solo cedeu mais de um lado do que do outro, e isso fez a torre afundar desigualmente. Em vez de corrigir totalmente o problema, os construtores interromperam a obra por longos períodos, em parte por dificuldades políticas e guerras envolvendo Pisa, o que acabou dando tempo para o terreno se acomodar e evitou um colapso precoce.
Quando a construção foi retomada no século XIII, os andares superiores passaram a ser erguidos com pequenos ajustes para compensar a inclinação. Essa tentativa não endireitou a estrutura, mas deu à torre uma curvatura discreta, perceptível em seu eixo, mostrando que os próprios construtores medievais já lutavam contra o efeito do terreno instável.
Este vídeo da NOVA mostra a história da construção e os esforços modernos para estabilizar a torre.
Um dos fatores mais importantes foi justamente a lentidão da construção. Como a obra avançou em etapas espaçadas por décadas, o terreno teve tempo de se acomodar aos poucos, reduzindo a chance de uma falha súbita. Além disso, a própria geometria cilíndrica da torre e a distribuição do peso ajudaram a manter o centro de gravidade dentro de limites que ainda permitiam estabilidade.
Séculos depois, engenheiros passaram a estudar a interação entre a estrutura e o subsolo de forma muito mais precisa. Entre 1990 e 2001, uma grande intervenção removeu pequenas quantidades de solo do lado oposto à inclinação, usou contrapesos e reforços temporários e conseguiu reduzir o ângulo sem apagar a característica histórica que tornou a torre famosa.
Sim, embora o risco tenha variado ao longo do tempo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.