Guerra das palavras nas redes: quando discordar virou escolher um lado
Foto: Canva * Artigo escrito por Rodrigo Horta, advogado criminalista Muitas disputas políticas começam como disputas de palavras .
Liberdade, ordem, democracia , povo, justiça, tirania: termos aparentemente conhecidos podem assumir significados diferentes quando grupos rivais disputam seu sentido.
Nas redes sociais , essa batalha acontece diariamente.
Um rótulo substitui um argumento, uma frase retirada de contexto transforma-se em prova de culpa e uma hashtag reúne aliados ao mesmo tempo em que identifica adversários.
A guerra contemporânea é também uma guerra das palavras.
Thomas Hobbes reconheceria esse cenário.
Autor do “Leviatã”, livro publicado em 1651 após as guerras civis inglesas, ele via na instabilidade da linguagem algo mais grave do que um problema de comunicação.
Para Hobbes, governar significava também estabelecer uma linguagem pública capaz de encerrar controvérsias práticas.
O soberano não deveria apenas comandar exércitos: deveria ter a última palavra sobre a lei, a justiça e as doutrinas admissíveis à paz comum.
Cada pessoa tende a transformar sua própria preferência em medida universal.
O que para uma pessoa é liberdade, para outra é ameaça; o que uma chama de resistência, outra chama de sedição.
É aí que entra o estado de natureza.
A guerra de todos contra todos não nasce simplesmente da maldade humana nem é causada apenas por palavras.
Ela resulta de competição, desconfiança e, sobretudo, da ausência de uma autoridade comum capaz de resolver controvérsias.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folhavitoria.com.br — o conteúdo pertence a Folha Vitória.