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Judeus no Irã enfrentam guerra entre ruínas de sinagoga e santuário fechado

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Judeus no Irã enfrentam guerra entre ruínas de sinagoga e santuário fechado

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O céu sobre Teerã voltou a se partir na madrugada de 7 de abril, apenas algumas horas antes de entrar em vigor o cessar-fogo que encerraria, ainda que de maneira errática , 40 dias da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã . O bombardeio caiu sem aviso prévio sobre o bairro de Fariman, a apenas um edifício de distância do que foi, até 1979, a embaixada israelense .

Um ataque do Exército de Israel destruiu a histórica sinagoga Rafi-Nia , um dos cerca de 30 templos judaicos de Teerã. Segundo as forças atacantes, o alvo era um alto comandante iraniano situado nas proximidades.

O santuário, que Abdolrahman Rafi-Nia ergueu em 1958, durante o reinado da dinastia Pahlavi , recebia uma comunidade vinda de Khorasan que, com seus próprios ritos e tradições litúrgicas, pertence à mesma linhagem de outras três sinagogas: Azizkhan, Levian e Nosrat.

Israel classificou a destruição do santuário como dano colateral — uma argumentação recorrente .

A reportagem esteve na região uma semana depois, em 14 de abril, quando ainda era possível caminhar entre as ruínas sem que a estrutura terminasse de desabar.

Teerã se estende como um anfiteatro contra a encosta sul da cordilheira do Alborz. Descer das ruas mais altas até aquele beco sem saída do centro era também ver o declínio do moral: quanto mais perto, mais pesava o silêncio.

Nenhuma parede permanecia de pé com mais de um metro de altura. Entre madeiras e ferros retorcidos, as ruínas eram apenas uma radiografia do edifício que existiu. Entre os escombros, páginas soltas de livros de oração que ninguém havia conseguido recolher.

Não é uma frente de batalha. É um bairro. E era, além disso, um local de culto protegido como bem civil pelo direito internacional humanitário. O artigo 52 do Protocolo Adicional I às Convenções de Genebra presume, em caso de dúvida, que um local de culto normalmente destinado a fins civis não contribui para a ação militar . O artigo 53 estabelece proteção adicional para locais de culto que constituam patrimônio cultural ou espiritual dos povos.

Destruída na guerra, a sinagoga de Rafi-Nia ficou no centro de um paradoxo, que também tem uma dimensão jurídica: o artigo 51 do mesmo Protocolo proíbe ataques que, mesmo tendo como alvo um objetivo militar legítimo, causem dano incidental excessivo em relação à vantagem militar pretendida, e o artigo 57 exige a adoção de todas as precauções factíveis para evitar ou reduzir esse dano.

O artigo 85 considera infrações graves determinadas violações do Protocolo cometidas em circunstâncias específicas, inclusive quando afetam locais de culto especialmente protegidos. A qualificação jurídica depende das circunstâncias do ataque.

As circunstâncias documentadas neste caso apresentam elementos que podem sustentar uma eventual qualificação jurídica da destruição de Rafi-Nia como crime de guerra .

O padrão de destruição de locais religiosos ao longo de toda a guerra tem em Rafi-Nia um caso emblemático.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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