Pesquisador alerta para riscos de retrocesso ambiental
A polarização política e a desvalorização da ciência podem comprometer a proteção ambiental e enfraquecer instituições responsáveis pela fiscalização e conservação da biodiversidade brasileira.
O alerta é do professor de engenharia florestal da Universidade de Brasília (UnB) Reuber Brandão, membro da Rede Biota Cerrado, que defende que o meio ambiente ocupe posição central no debate eleitoral e na definição dos rumos do país.
Em entrevista ao CB Poder Especial de Eleições , o pesquisador criticou declarações provocativas que ganham espaço nas redes sociais, enquanto questões estruturais, como a crise climática e a proteção da biodiversidade, exigem responsabilidade política e planejamento de longo prazo.
"A gente não vai conseguir conversar de maneira madura, de maneira responsável, de maneira séria, com esse nível de polarização infantil", declarou.
Leia também: Três a cada dez municípios brasileiros não possuem planos para enfrentar desastres climáticos Brandão questionou discursos que desqualificam a ciência e põem em dúvida a atuação de órgãos ambientais.
Para ele, essa visão compromete a valorização da biodiversidade e o desenvolvimento de alternativas econômicas sustentáveis.
"Quando a gente pensa em tirar isso atendendo a apenas uma interpretação de entendimento de sociedade, a gente está empobrecendo a sociedade como um todo", disse.
Ao prometer nesta semana "a maior regularização fundiária que o Pará já viu" e o fim dos "entraves ambientais por razões ideológicas", Flávio Bolsonaro (PL) reacendeu o debate sobre a ocupação da terra.
Brandão reconheceu que a segurança jurídica fundiária é um problema histórico no Brasil, mas defendeu que a regularização seja acompanhada de planejamento territorial e proteção de áreas ambientalmente sensíveis.
"O grande problema não é você pensar em questão de regularização fundiária, de dar segurança fundiária ao produtor, de dar segurança fundiária a quem está ocupando o território.
O grande problema é você reduzir a questão de conservação a um viés meramente ideológico", afirmou.
Segundo o pesquisador, é possível conciliar produção agropecuária, proteção de territórios indígenas e conservação ambiental, desde que as decisões considerem as características de cada região.
Ele alertou ainda que o descumprimento de compromissos ambientais pode gerar consequências econômicas, inclusive com restrições ao acesso de produtos brasileiros a mercados internacionais.
Instituições fortes Ao avaliar a política ambiental brasileira, Brandão relacionou os resultados do combate ao desmatamento à capacidade de atuação do poder público.
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