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Família de Leila usa o Palmeiras para vender sonho ao Vasco

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Família de Leila usa o Palmeiras para vender sonho ao Vasco

Quanto tempo precisa durar uma má fase para ela deixar de ser uma fase e se tornar aquilo que você realmente é? Essa reflexão foi surrupiada dos gênios Daniel Furlan e Caito Mainier, do Falha de Cobertura. Quanto tempo para que um time grande em má fase prove ser um time pequeno que viveu um breve momento de glória?

A questão, naturalmente, refere-se ao Vasco, que ontem tomou 4 a 1 do Palmeiras e ocupa a vice-lanterna do Brasileirão. Faz 10 anos que o Cruzmaltino não se sagra campeão carioca. O último título brasileiro tem 26 anos. A última Libertadores, 28. Neste milênio, além de três estaduais, o clube conquistou uma Série B (2009) e uma Copa do Brasil (2011) — e quatro rebaixamentos.

Torcedores adolescentes provavelmente não lembrarão de uma única taça, nem do Carioca.

Ainda assim, o Vasco sustenta a quinta maior torcida do país, igualmente leal e desesperada com sucessivas gestões trágicas, culminando na transformação em SAF. Depois da debacle da 777, a esperança agora tem sobrenome: Lammachia.

Neste domingo (24), o empresário Marcos Lammachia posou ao lado de sua madrasta, Leila Pereira, já trajado com o manto cruzmaltino, reforçando que falta pouco para a compra do clube acontecer. Sua aprovação depende do entendimento das autoridades de que não há conflito de interesse pelo fato de a Crefisa patrocinar o Palmeiras e Leila, casada com o pai de Marcos, ter mandato à frente do Alviverde até 2027.

Marcos não tem função oficial no Vasco. Mas posou no campo junto com o diretor de futebol do clube e a presidente do Palmeiras. Perguntado sobre sua presença, respondeu apenas: "Esperando a decisão da Justiça para liberar o leilão e podermos transformar o Vasco. Por ora, é isso".

A foto é tão emblemática quanto proposital. Leila, vascaína e recentemente acusada de neglicenciar o Palmeiras em prol da aquisição do clube carioca, voltou a provar que não se importa com a opinião pública. Nem a da própria torcida — a palmeirense, no caso. Ela faz o que quer e os incomodados que lutem.

Lado a lado, duas instituições imensas em momentos opostos. Em comum, além da histórica amizade entre as torcidas, uma família que promete replicar um modelo de sucesso. Alô, vascaínos, vocês não querem o que os palmeirenses têm agora?

Leila não é dona do Palmeiras. Ela assumiu o clube com as contas organizadas, uma arena de ponta e o terreno para o sucesso pavimentado. Sucesso que ela amplificou e consolidou, certamente, mas que não saiu de ruínas. Um feito bastante diferente do que demandará o Gigante da Colina.

Detalhes, detalhes. Em uma situação desoladora, quem vai olhar para a letra fina do contrato, para os possíveis conflitos, os riscos, quando a terra prometida está logo ali, metendo 4 a 1 em um time desmontado emocionalmente?

Nada vende uma solução mágica como a desesperança, e o contraste com quem já está no Paraíso. Os bilionários sabem bem disso.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

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