EUA acusam cinco homens de integrar rede para assassinar dissidentes russos
Os Estados Unidos acusaram cinco homens de integrar uma rede supostamente coordenada pelo governo da Rússia para assassinar dissidentes russos no país e no exterior. A informação foi divulgada pelo The New York Times.
A acusação afirma que o governo russo coordenou os planos e que três réus integravam os serviços de inteligência do país. São eles Yuri Khrameev, de 63 anos, seu filho Kirill Khrameev, de 27, e Oemis Romagoza Durruthy, cubano de 35 anos que vive na Rússia. Segundo os promotores, Durruthy coordenava os ataques para a rede.
Yaidel Delgado Suarez, de 35 anos, teria recrutado pessoas nos EUA para 'vigilância e assassinato'. Ele, Yuri Khrameev e o venezuelano residente na Rússia Angel Eduardo Castro, de 22 anos, são acusados de buscar alguém para matar um dissidente russo de destaque que acreditavam viver na região de Washington.
Uma mensagem de voz entre os envolvidos indicava a necessidade de 'medir um terreno e fornecer as medidas' para uma 'construção'. Segundo os promotores, os termos eram parte de linguagem disfarçada para se referir a vigilância e assassinato.
Em duas mensagens de voz enviadas, Suarez citava valores. O homem disse que seriam pagos entre US$ 1.000 (cerca de R$ 5.150 mil, conforme cotação atual) e US$ 1.500 (R$ 7.725 mil) por um vídeo de um endereço e da localização de alguém que eles "querem eliminar, querem fazer desaparecer", oferecendo "US$ 40.000 (R$ 206 mil) para quem fizer o serviço".
Posteriormente, Castro encaminhou as mensagens a um cidadão venezuelano no Brooklyn, que se dispôs a tirar fotos, mas não a fazer 'as outras coisas'. Mais tarde, Suarez enviou ao homem outra localização, fornecida por Yuri Khrameev. O homem recebeu o pagamento após enviar os vídeos e fotografias a Suarez, segundo o documento. Suarez tentou recrutar outras pessoas por meio de aplicativos de mensagens criptografadas e ofereceu pagamento para que matassem o dissidente e outras vítimas nos EUA, conforme a denúncia.
Em junho de 2025, Khrameev encontrou um americano na fronteira entre a Estônia e a Rússia e pagou-lhe US$ 200 (pouco mais de R$ 1.000) para fotografar um endereço em Vilnius, na Lituânia. Em seguida, ele colocou o americano em contato com seu pai, Yuri Khrameev, que pediu ao recruta que matasse uma pessoa associada àquele endereço — alguém que "dizia à mídia e às pessoas comuns que os russos são os agressores".
O assassinato poderia ser 'jogando uma garrafa de gasolina' ou 'cravando uma faca' na vítima. O pagamento pelo ato seria de cerca de US$ 25 mil (R$ 128 mil), disse Khrameev ao recruta, que recusou o pedido. Khrameev ofereceu então um "trabalho mais simples", que poderia incluir escolher como alvos e incendiar instalações militares e civis em países da OTAN e em "todos os países que estão ajudando a Ucrânia".
Além do dissidente russo nos EUA, os alvos da rede incluíam infraestruturas civis e militares na Europa, de acordo com a denúncia. "Conforme alegado, os réus, atuando a serviço dos serviços de inteligência da Rússia, conspiraram para provocar destruição e caos ao redor do mundo, inclusive aqui mesmo, nos Estados Unidos", afirmou em comunicado James M.
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