Proibição das Bets: Discurso dos clubes sobre “fim do futebol brasileiro” não comove torcedores
A mobilização dos grandes clubes de São Paulo e do Rio de Janeiro contra a possível Medida Provisória (MP) que traria restrições ao mercado de apostas no Brasil não conseguiu comover os torcedores ao redor do país.
Conforme publicou a Máquina do Esporte , na noite desta quinta-feira (17) Botafogo , Corinthians , Flamengo , Fluminense , Palmeiras , Santos , São Paulo e Vasco publicaram em seus respectivos perfis nas redes sociais, em colaboração com a Ferj e a FPF , um manifesto contrário à eventual proibição das bets.
O texto argumentava que as restrições poderiam representar “o fim do futebol brasileiro”, na medida em que privaria os clubes de uma de suas principais fontes de patrocínio. Os oito clubes têm sites de apostas como patrocinador máster.
Na manhã desta sexta-feira (18), o Portal 91, especializado em estatísticas e sentimento das torcidas nas redes, publicou um post no X afirmando que esse discurso dos times paulistas e cariocas enfrentou forte resistência nas redes.
A página analisou 90.123 interações no X e no Instagram, em discussões sobre o posicionamento de clubes diante de possíveis novas restrições às bets.
De acordo com o post, em 31.761 delas foi possível identificar uma posição clara dos usuários a respeito do discurso adotado pelos clubes.
Em 88% dos casos, os comentaristas criticaram a postura dos times, enquanto 6,9% optaram por uma posição intermediária e 5,1% manifestaram apoio ao manifesto em favor das apostas.
Segundo o Portal 91, 19,6% das respostas ao texto fizeram menção à dependência financeira ou ao interesse econômico dos clubes.
Outros 13,5% referiram-se aos impactos sociais das apostas, como vício, endividamento e efeitos sobre famílias.
Por fim, 10,5% argumentaram que o futebol brasileiro existia antes da expansão das bets. “A própria expressão ‘fim do futebol brasileiro’, utilizada para dimensionar os possíveis impactos econômicos das restrições, passou a ser apropriada de forma irônica nas redes”, diz o Portal 91.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o CEO e fundador da Máquina do Esporte, Erich Beting , classificou como exagerado o discurso dos clubes e das federações a respeito do patrocínio das bets.
Ele lembrou que uma narrativa parecida a essa foi utilizada pelas entidades esportivas no início dos anos 2000, quando o país proibiu o funcionamento dos bingos. No fim, o esporte conseguiu outras fontes de receitas, que compensaram a perda daquela fonte de arrecadação.
O jornalista também observou que, nos últimos meses, inúmeras casas de apostas deixaram de patrocinar clubes, em um novo momento do mercado no país.
Isso não representou o fim para quem perdeu esse tipo de parceria, já que os investimentos das bets, isoladamente, estão longe de representar as principais fontes de receitas no futebol brasileiro. Na visão dele, a principal consequência que a MP poderia acarretar seria a redução momentânea nas receitas de clubes que possuem esse tipo de patrocínio.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em maquinadoesporte.com.br — o conteúdo pertence a Máquina do Esporte.