Além do CEP e da renda, o clima poderá determinar as doenças que teremos
A Climate Week NYC 2026 , importante reunião com a principal agenda global sobre mudanças climáticas que acontece todo ano simultaneamente à Assembleia Geral da ONU, chegou ao fim com uma questão-chave: entre discussões sobre energia, cidades, financiamento, alimentos e tecnologia, a saúde ganhou espaço e apareceu de forma transversal.
“Clima e saúde”, inclusive, é um dos 12 temas oficiais da programação do evento deste ano.
Não é difícil entender o porquê.
A mudança climática já interfere nas condições em que vivemos e adoecemos.
Calor extremo, poluição do ar, enchentes, alterações na disponibilidade de água e alimentos e mudanças na distribuição de doenças transmitidas por vetores são também questões de saúde pública.
A poluição do ar talvez seja um dos exemplos mais concretos.
A Organização Mundial da Saúde estima que ela esteja associada a cerca de 7 milhões de mortes prematuras por ano no mundo, principalmente por doenças cardiovasculares, respiratórias e câncer de pulmão.
Reduzir emissões, portanto, não significa apenas tentar conter o aumento da temperatura do planeta nas próximas décadas.
Significa respirar melhor e potencialmente adoecer menos agora.
Ao longo da semana, vi também discussões sobre soluções, desde novas tecnologias para reduzir poluentes até materiais e revestimentos capazes de ajudar a diminuir o aquecimento das cidades.
Porque, além de reduzir as causas do problema, precisamos nos preparar para um mundo que já está mais quente.
Continua após a publicidade O calor é um bom exemplo.
Quanto mais a temperatura sobe, maior a necessidade de refrigeração e maior a demanda por energia.
Mas, no Brasil, antes mesmo de discutir se teremos energia e equipamentos suficientes para enfrentar temperaturas cada vez mais altas, há uma pergunta básica: quem poderá se proteger? Ar-condicionado, moradias adequadas, áreas verdes e acesso a serviços não estão igualmente disponíveis.
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