EUA controlarão US$ 4 bi em ouro da Venezuela, diz deputado da oposição
Recursos correspondentes a cerca de 31 toneladas de ouro da Venezuela retidos no Banco da Inglaterra serão depositados em uma conta do Tesouro dos Estados Unidos, afirmou o deputado Ramón López. Ele integra a delegação da oposição venezuelana que negocia com o governo da presidente interina Delcy Rodríguez.
O ouro está avaliado atualmente em cerca de US$ 4 bilhões, o equivalente a R$ 20,8 bilhões. Os lingotes permanecem nos cofres do Banco da Inglaterra desde que o Reino Unido deixou de reconhecer o governo venezuelano, em 2018.
Segundo López, o dinheiro ficará sujeito a controles permanentes e auditorias de empresas internacionais. Em entrevista à emissora venezuelana Venevisión, ele afirmou que os recursos serão usados na reconstrução de moradias, escolas e unidades de saúde atingidas pelos terremotos de junho.
A transferência para uma conta do Tesouro americano não consta do acordo divulgado pelas delegações. O documento estabelece que o uso dos recursos deverá obedecer a mecanismos de transparência, rastreabilidade e auditoria, mas não informa onde o dinheiro ficará depositado.
Os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido ainda não confirmaram publicamente a operação. Procurado pela Reuters na semana passada, o Banco da Inglaterra não comentou o caso. O Ministério das Relações Exteriores britânico também não havia se manifestado.
O governo venezuelano e parte da oposição concordaram em atuar conjuntamente para recuperar o ouro. O entendimento foi anunciado na quarta-feira (12), após quase duas semanas de negociações patrocinadas pelos Estados Unidos, segundo o Financial Times.
Os recursos seriam destinados às áreas atingidas por dois terremotos no final de junho. Mais de 6.000 pessoas morreram, e o governo pretende aplicar o dinheiro na reconstrução de moradias, unidades de saúde, rede elétrica e remoção de escombros.
López negou que a liberação do ouro tenha sido negociada em troca da reforma do Tribunal Supremo de Justiça. Governo e oposição também concordaram em iniciar uma reformulação do sistema judicial venezuelano, mas, segundo o ex-deputado, os dois compromissos não estão vinculados.
A presidente interina Delcy Rodríguez chegou a pedir a intervenção do rei Charles 3º para liberar os ativos. Apesar da captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, em janeiro, o impasse sobre quem tem autoridade para movimentar as reservas venezuelanas ainda não foi resolvido pela Justiça britânica.
A Venezuela mantém parte de suas reservas de ouro em Londres desde a década de 1980. A prática é comum entre bancos centrais: o Banco da Inglaterra oferece segurança para os lingotes e acesso ao mercado de ouro londrino, um dos principais centros de negociação do metal no mundo.
O acesso da Venezuela aos lingotes foi bloqueado em 2018, após o Reino Unido deixar de reconhecer Nicolás Maduro como presidente legítimo. A disputa passou à Justiça britânica porque diretorias rivais do Banco Central venezuelano, ligadas a Maduro e ao opositor Juan Guaidó, reivindicavam o controle das reservas.
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