Fábio Porchat, Instagram, censura e democracia
A Meta, controladora do Facebook e do Instagram, volta ao centro de uma controvérsia envolvendo política, liberdade de expressão e interferência privada na circulação de informações.
Desta vez, o episódio é particularmente preocupante: a suspensão do perfil do projeto Revelando, responsável pela divulgação de uma reportagem apresentada por Fábio Porchat sobre as relações entre Daniel Vorcaro, o Banco Master, a Igreja Batista da Lagoinha e personagens da política brasileira, entre eles Flávio Bolsonaro e NikolasFerreira.
O vídeo, intitulado “Grandes Igrejas, Master Negócios”, aborda relações familiares, religiosas, financeiras e políticas envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e outros personagens públicos, no contexto das investigações sobre o Banco Master e suas possíveis repercussões sobre recursos públicos e privados.
Após alcançar milhões de visualizações, o perfil responsável pela publicação foi retirado do Instagram.
A justificativa inicialmente apresentada foi uma suposta violação dos padrões da plataforma, sem indicação específica da regra descumprida.
Horas depois, diante da repercussão, a Meta restabeleceu a conta e pediu desculpas pelo ocorrido.
A empresa, contudo, não esclareceu publicamente o motivo da suspensão.
O episódio poderia ser tratado como mais um equívoco dos mecanismos de moderação de conteúdo.
Entretanto, quando se considera o histórico das grandes plataformas digitais e sua capacidade de interferir no debate político, a questão assume contornos muito mais graves.
Em 2018, o mundo conheceu o escândalo da Cambridge Analytica, diretamente ligado à campanha presidencial de Donald Trump em 2016.
A consultoria britânica utilizou dados obtidos indevidamente de dezenas de milhões de usuários do Facebook para criar perfis psicográficos e comportamentais de eleitores americanos.
Com base nesses perfis, a empresa direcionou anúncios altamente personalizados (microtargeting) e mensagens direcionadas para influenciar a decisão de voto, mobilizar apoiadores e desestimular o voto em adversários, atuando diretamente em favor da campanha de Trump.
Aquele episódio não envolveu propriamente a retirada de publicações, mas revelou algo igualmente preocupante: o poder das plataformas digitais de participar da formação da vontade política dos cidadãos, seja por meio do direcionamento personalizado de mensagens, seja pelo controle sobre a circulação das informações.
Agora, a controvérsia é outra, mas o problema estrutural permanece.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jovempan.com.br — o conteúdo pertence a Jovem Pan.