Pinguins de uma ilha remota esconderam uma espécie por décadas: genética revelou uma linhagem desconhecida e redesenhou a família dos gentoos
Análises genéticas revelam uma espécie de pinguim nas Ilhas Kerguelen e propõem dividir os gentoos em quatro linhagens evolutivas distintas
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Durante décadas, pinguins de uma ilha isolada no sul do Oceano Índico foram classificados junto de parentes que pareciam praticamente idênticos. Entretanto, uma investigação genética revelou que as aves das Ilhas Kerguelen pertencem a uma linhagem evolutiva própria. Batizada de Pygoscelis kerguelensis, a nova espécie de pinguim foi descrita formalmente em abril de 2026. O estudo também propôs dividir os conhecidos pinguins-gentoo, ou pinguins-papua, em quatro espécies distintas, com diferenças genéticas, anatômicas e ecológicas que passaram despercebidas nas classificações tradicionais.
Os pinguins-gentoo apresentam características facilmente reconhecíveis: cabeça escura, faixa branca acima dos olhos, bico alaranjado e pés rosados. Essas semelhanças levaram pesquisadores a reunir populações de diferentes ilhas e regiões antárticas sob uma mesma espécie.
A situação começou a mudar quando estudos genéticos identificaram diferenças persistentes entre colônias geograficamente isoladas. Nas Ilhas Kerguelen, um arquipélago francês extremamente remoto, os pesquisadores encontraram uma linhagem que seguia uma trajetória evolutiva independente, apesar da aparência semelhante à dos outros gentoos.
Os cientistas compararam informações genômicas de populações distribuídas pelo Oceano Austral. Também analisaram medidas corporais, características ecológicas e sinais de adaptação presentes no material genético. Os resultados sustentaram a existência de quatro grandes linhagens evolutivas.
A investigação mostrou diferenças em regiões genéticas relacionadas à regulação térmica, ao transporte de oxigênio, ao metabolismo e ao desenvolvimento do esqueleto. Esses resultados são compatíveis com adaptações a ambientes marinhos distintos, embora não demonstrem isoladamente como cada característica funciona.
O estudo encontrou evidências de antigas conexões genéticas entre diferentes arquipélagos. Isso indica que a separação não aconteceu necessariamente de maneira absoluta. Com o tempo, o isolamento geográfico e as condições ambientais particulares favoreceram diferenças acumuladas entre as linhagens.
O estudo publicado na revista Communications Biology , em 23 de abril de 2026, reuniu análises genômicas, morfológicas e ecológicas para revisar a classificação do grupo. A pesquisa foi liderada por Daly Noll e contou com pesquisadores de diferentes instituições internacionais.
Uma parte importante envolveu exemplares preservados em museus. O espécime de referência da nova espécie, por exemplo, foi coletado em Kerguelen em 1897. Isso demonstra que os animais já eram conhecidos havia mais de um século, mas sua identidade evolutiva ainda não havia recebido reconhecimento formal na classificação proposta.
A revisão distingue populações do extremo sul da América, da Antártida e de diferentes arquipélagos subantárticos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.