Livro de Luiz Marfuz mistura humor e espiritualidade em contos
O dramaturgo, encenador, pesquisador e professor da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Luiz Marfuz lança, no dia 23 de setembro, o livro “Ratoeira Perfumada”, sua primeira obra de prosa de ficção.
O evento será realizado no Museu de Arte Contemporânea da Bahia, em Salvador.Publicada pela Editora Patuá, a obra reúne contos em que situações aparentemente comuns conduzem os personagens a acontecimentos inesperados.
As histórias exploram contradições, desejos, medos e descobertas, a partir da provocação de que toda busca pode esconder uma armadilha.O livro chega ao público no mesmo ano em que Marfuz completa 50 anos de dedicação ao teatro.
A passagem para a ficção, segundo o autor, ocorreu por uma coincidência de agendas.
A publicação estava prevista para 2024, período em que ele começou a escrever uma peça sobre Padre Pinto, montada em 2025 com atores e atrizes do Teatro Oficina.“Não à toa, dois contos têm religiosos como personagens: ‘Serpente na cabeça’ e ‘Ataque dos pombos’”, conta.Contos transitam entre o real e o insólitoEm “Ratoeira Perfumada”, um professor é levado ao reino dos mortos do Egito Antigo; um viajante se perde entre as ruínas de Machu Picchu e os labirintos da própria mente; um questionário on-line provoca reviravoltas na sexualidade de um rapaz; e um padre desesperado busca respostas com uma jovem yalorixá.Mistério, espiritualidade, erotismo, humor e estranhamento atravessam as narrativas.
O insólito aparece como uma forma de iluminar situações concretas por perspectivas inesperadas, sem se afastar dos conflitos humanos.
“Embora haja esse percurso exploratório de múltiplas linguagens, talvez o aspecto da busca, das armadilhas do autoengano, é o que mais me interessa.
Essa ideia de que você nem sempre encontra o que está procurando, mas uma outra coisa que ainda não sabe, por vezes desembocar num lugar desconhecido, ou improvável, e ter de lidar com uma realidade que desconhece”, explica Marfuz.Para o autor, a combinação entre fascínio e medo está no centro das descobertas.
O humor e a autoironia também aparecem como recursos para tratar de temas delicados sem submetê-los a uma leitura exclusivamente trágica.“As personagens não são um modelo moral, quando muito uma parte do que reconhecemos em nós.
Todos falhamos.
É o que Samuel Beckett, eterna fonte de inspiração, nos ensina”, afirma.Trajetória no teatro e na pesquisaA estreia de Marfuz na prosa ficcional amplia uma trajetória construída entre o palco, a pesquisa e a reflexão sobre a cultura.
Ele é autor dos livros “Beckett e a implosão da cena”, publicado pela Editora Perspectiva, e “Dramaturgia do acontecimento no telejornal”, pela Edufba.Também assina, ao lado de Raimundo Matos de Leão, o livro “Harildo Déda: a matéria dos sonhos”.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em atarde.com.br — o conteúdo pertence a A Tarde.