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Baiana que vive em Aracaju diz que Bolsa Família ajuda, mas não define escolha eleitoral

Folha de S.Paulo ·
Baiana que vive em Aracaju diz que Bolsa Família ajuda, mas não define escolha eleitoral

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A baiana Laiza Sousa é beneficiária do Bolsa Família, sabe da importância do programa em sua vida , mas esse reconhecimento não basta para fazê-la encarar as seis horas de ônibus que separam Aracaju, onde mora, de Salvador para votar em 4 de outubro.

Ela sabe que o programa social foi criado durante o primeiro mandato do presidente Lula, mas é enfática. "Sei e isso não é suficiente para eu votar em ninguém."

Por qual motivo isso não basta para votar em Lula? Laiza afirma que há "muita gente corrupta". Pergunto a quem ela se refere e ela me responde que os preços só aumentam.

"Com R$ 500 não se faz nada no mercado, porque está tudo caro . Eles pensam só no bolso deles e esquecem do ser humano, mas tem muita gente aqui que não tem nem o que comer", diz, ao elencar seus gastos: R$ 600 de aluguel, água, luz, internet, alimentação, produtos de uso pessoal e perfumes do Boticário, algo que ama e compra sempre que dá.

Pensando nas pessoas com as quais interage em Aracaju e em Salvador, Laiza tem a impressão de que a maioria vota em Lula, provavelmente por programas como o incentivo financeiro voltado a estudantes do ensino médio, o Pé-de-Meia, e, sobretudo, o Bolsa Família, algo que pode ser reforçado pela decisão do governo de reajustar o programa em 15% às vésperas do pleito .

Ela sugere que essa não deveria ser a razão. "Não, gente, pelo amor de Deus! Acho que [esse tipo de programa] é o mínimo que eles [governantes] podem fazer pelo povo brasileiro. É o básico dos básicos."

Muitos minutos de conversa adiante, admite que o petista já fez coisas boas, mas afirma que ele se envolveu em corrupção, o que a desagrada. De forma alguma, no entanto, faz com que o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, ganhe a sua simpatia—ou o seu voto.

"Nenhum dos dois agrega ao Brasil. São duas pessoas que já se elegeram. Flávio, não, é a primeira vez, mas é do meio de Bolsonaro ", diz. "Eu não vi eles melhorarem o Brasil, as coisas só pioram."

Quando fala das coisas que só pioram, Laiza diz que sente falta principalmente de bons postos de trabalho. "Tem muita gente em situação complicada porque não arrumou trabalho. Até porque, hoje em dia, para trabalhar tem que ter uma escolaridade boa, no mínimo um segundo grau."

Laiza não era nascida quando Lula assumiu o governo pela primeira vez. Aos 22 anos e com um filho de três, a baiana faz EJA (Educação de Jovens e Adultos), está na última etapa do ensino fundamental e pretende concluir o ensino médio em dois anos.

Depois disso, diz não ter paciência para uma faculdade, então planeja fazer um curso técnico de enfermagem.

Laiza trabalha desde os 14 anos. Já fritou pastel, cuidou de caixa de loja, vendeu açaí e trabalhou em fábrica de cadeira de fibra sintética.

Hoje, é atendente em uma pequena mercearia na avenida da praia, de domingo a domingo, das 7h às 15h. Ganha um salário mínimo, tem uma folga por semana mais um domingo ao mês. Está orando, segundo ela, pelo fim da jornada 6x1, sem ter muito claro que a mudança, se aprovada, nem sob reza a favorecerá.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.

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