Alemanha inaugura parque eólico no mar para fornecer energia para 1,1 milhão de residências
Frankfurt (Alemanha) | AFP A Alemanha inaugurou nessa quinta-feira (17) seu maior parque eólico offshore no Mar do Norte, em meio a alertas de representantes do setor de que a indústria enfrenta dificuldades.
Localizado a 90 quilômetros ao norte da ilha de Borkum, perto da fronteira com a Holanda, o parque eólico reúne 64 turbinas, com capacidade total de 960 megawatts (MW).
Batizado de "He Dreiht" ("está girando" na tradução literal do dialeto alemão local), o parque custou à sua operadora, a EnBW, cerca de 2,4 bilhões de euros (US$ 2,8 bilhões) e pode fornecer energia para aproximadamente 1,1 milhão de residências, segundo a empresa.
"Vocês investiram neste parque eólico com uma visão clara", afirmou o ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Carsten Schneider, em um discurso, acrescentando que o investimento foi feito "em um momento em que as condições de mercado não estão nada fáceis".
A campanha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a energia eólica coincidiu com uma mudança na política energética da Alemanha, abalando o setor.
A ministra da Energia, Katherina Reiche, da CDU (União Democrata Cristã), partido de centro-direita, propôs cortes nos subsídios à energia solar e eólica.
Reiche tem defendido a construção de novas usinas termelétricas a gás para ajudar a estabilizar a rede elétrica e compensar a intermitência de fontes renováveis, como a eólica e a solar.
Schneider, social-democrata de centro-esquerda, afirmou que continua em vigor a meta da Alemanha de triplicar sua capacidade eólica offshore para 30 GW até 2030.
Nesta quinta-feira, o CEO da EnBW, Georg Stamatelopoulos, afirmou que a incerteza está prejudicando a expansão da energia eólica.
"Vamos simplesmente ignorar esses projetos ou deixá-los se arrastar?", questionou.
He Dreiht é o primeiro parque eólico da Alemanha a operar sem subsídios estatais para a eletricidade que injeta na rede.
A EnBW depende exclusivamente de acordos de compra de energia (PPAs, na sigla em inglês), contratos de longo prazo firmados com empresas como a Fraport, operadora do Aeroporto de Frankfurt, e a fornecedora do setor automotivo Bosch.
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