Alexandre Garcia: Lulinha quem?
Dois dias após o debate na Band, Lula "acusou o golpe" numa postagem nas redes: "Eu me senti muito incomodado em participar de um debate com um miliciano".
Parece uma confissão de que apanhou no confronto e um aviso de que não gostaria de repetir "debate com um miliciano".
Mais uma vez, Lula culpa os outros pelos seus próprios erros.
As considerações finais de Lula no debate da Band geraram a frase mais repetida nas redes digitais: "No quarto mandato, a gente vai dizer: o Brasil acabou." Quando ouvi isso no domingo, lembrei do mais importante debate entre todos que mediei.
Quando Lula teve, por sorteio, oportunidade da última manifestação oral antes do 2º turno que disputava com Collor, ele concluiu assim: "Muito obrigado.
Eu espero que minha participação neste debate possa ter contribuído para dizer que o famoso caçador de marajás não passa de um caçador de maracujás." Dona Mariza e o assessor de comunicação Ricardo Kotscho, sentados na primeira fila do mesmo auditório da Band, levantaram-se perplexos e foram embora, com cara de desastre.
No domingo, Janja e Sidônio Palmeira não se retiraram, mas estavam com as mesmas caras que vi em 1989.
Janones acabou na UTI.
Naquela época, eram dois jovens se digladiando.
Lula tinha 44 e Collor 40.
Agora, Lula está com 81 e Flávio tem 45 — e isso fez a diferença, mas o Lula jovem já desperdiçava as considerações finais.
Esta é a sétima campanha presidencial de Lula.
Penso que Lula e os que o aconselharam nesse debate, estavam confiantes de que a experiência iria prevalecer.
Foram surpreendidos pelo excesso de confiança, como já haviam sido surpreendidos pelo resultado do 1º turno.
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