ONU prevê aquecimento superior a 1,5°C e riscos maiores no agro
O mundo deve ultrapassar nos próximos anos o limite de 1,5°C de aquecimento global estabelecido pelo Acordo de Paris, aumentando os riscos para a produção de alimentos, a disponibilidade de água e as economias rurais.
O alerta está em um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), divulgado nesta quarta-feira (2).
Segundo o estudo, mesmo no cenário mais otimista, a temperatura média global deverá atingir um pico de 1,8°C acima dos níveis pré-industriais .
A maioria dos outros cenários prevê um aquecimento ainda maior.
“O calor abrasador, os incêndios florestais intensos e as inundações mortais deste verão são um alerta para o que está por vir.
Devemos tornar a ultrapassagem acima de 1,5 graus a menor e mais breve possível”, avalia o Secretário-Geral da ONU, António Guterres.
Leia Mais André de Paula cria grupo de trabalho para avaliar impactos do El Niño Amazonas está entre estados com mais alertas ambientais para a infância Chinesa busca acesso à Foz do Amazonas após descoberta da Petrobras Para o setor agropecuário, o avanço de cada fração de grau representa aumento dos riscos associados a eventos climáticos extremos , perda de produtividade e maior pressão sobre recursos naturais.
A agricultura está entre os setores mais expostos ao avanço das temperaturas porque depende diretamente do comportamento do clima, da disponibilidade de água e das condições do solo.
O aumento de eventos extremos pode afetar desde o calendário de plantio e colheita até a produtividade das lavouras e a criação de animais.
Secas prolongadas podem reduzir a disponibilidade de água para irrigação e dessedentação, enquanto chuvas intensas podem provocar erosão, perdas de solo e destruição de lavouras e infraestrutura.
O aquecimento também aumenta a pressão sobre os ecossistemas e pode alterar a distribuição de pragas e doenças agrícolas.
Para o setor, portanto, a adaptação passa a ter importância crescente.
O PNUMA defende que medidas de adaptação e mitigação avancem de forma conjunta, priorizando iniciativas capazes de reduzir emissões e, ao mesmo tempo, aumentar a resiliência das comunidades e das economias.
Amazônia entre os pontos de risco O relatório também chama atenção para a possibilidade de ultrapassagem de pontos de não retorno , ou seja, eventos que podem provocar mudanças irreversíveis ou de difícil reversão no sistema climático.
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