Crise no STF 'corrompe a democracia' e interfere na eleição, diz coordenador do 'Derrubando Muros'
A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) "corrompe a democracia" e passou a interferir diretamente na eleição presidencial, afirma o sociólogo José Cesar Martins, coordenador do Derrubando Muros, grupo apartidário que reúne lideranças da sociedade civil em defesa de uma agenda voltada ao desenvolvimento do País.
Para Martins, a sessão do último dia 15, que discutiu a possibilidade de abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes a partir de informações extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, expôs uma perda de legitimidade da Corte que transbordou os limites do tribunal às vésperas do primeiro turno.
Martins diz que a sessão escancarou um distanciamento entre os ministros e a sociedade e afirma que os atuais integrantes da Corte "perderam a conexão com o Brasil". Ao avaliar os embates entre os magistrados, diz não se lembrar, "nem na ditadura", de "uma cena tão degradante do Estado brasileiro".
Diante desse cenário, defende que suspeitas envolvendo ministros sejam apuradas por uma instância externa à própria Corte. "Não pode ser o Supremo se julgando", afirma. Martins sugere a formação de um grupo de pessoas de "grande reputação e grande autonomia" para apurar e julgar as acusações e sustenta que uma "situação excepcionalíssima" exige uma resposta também excepcional.
O Derrubando Muros continua defendendo a criação de um código de conduta para o STF, mas avalia que a medida, sozinha, já não é suficiente para responder às suspeitas levantadas contra integrantes da Corte. Martins afirma que o código segue necessário como instrumento de prevenção, mas que o momento exige também investigação e responsabilização. "Isso não se corrige com o Código de Conduta. Isso se corrige com apuração e punição."
O diagnóstico alcança também o restante do sistema político: Martins defende uma "reconstituinte" para refazer as regras de funcionamento do Estado e afirma que o grupo pretende discutir uma "repactuação" político-institucional, que poderia chegar à proposta de um plebiscito.
A avaliação sobre o cenário eleitoral também mudou desde a última entrevista concedida ao Estadão , em março. Na ocasião, Martins dizia haver um espaço "escancarado" para uma alternativa entre Lula e Flávio Bolsonaro e defendia o surgimento de um "radical de centro", em contraposição ao que chamava de "centro molenga".
A pouco mais de duas semanas do primeiro turno, afirma agora que esse campo se tornou "um espaço inexistente" e um "reduto da covardia política". Na sua avaliação, o centro "se autoextinguiu".
Houve um descolamento da realidade brasileira no nosso Suprema Corte. Essa turma de ministros atuais perdeu a conexão com o Brasil. E aí a gente foi interpretar de todas as maneiras: proteção, vingança, todos interessados. Mas nunca, nenhum deles cruza com o interesse público.
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