Quando um cantor de ópera atinge uma nota aguda, uma mudança na boca ocorre para o som se propagar mais longe. Este também é o feito de um animal
Quando um cantor de ópera atinge uma nota aguda, uma sutil mudança no formato da boca e da garganta pode fazer o som se propagar mais longe.
Uma nova pesquisa mostra que um dos animais mais incomuns de Madagascar — um lêmure cantor — pode estar fazendo algo semelhante no alto da copa das árvores da floresta tropical.
Nas densas florestas do nordeste de Madagascar, onde a vegetação espessa pode bloquear o contato visual a mais de alguns metros, os lêmures chamados indris dependem de cantos melancólicos para se comunicar.
Cientistas descobriram agora que esses primatas abrem mais a boca ao produzir notas mais agudas, um padrão consistente com uma técnica vocal chamada ajuste de formantes.
“ Imagine o formato da sua boca e garganta como uma espécie de tubo.
Quando você abre mais a boca, muda o formato desse tubo, e isso altera as frequências com as quais ele ressoa naturalmente — um pouco como um tubo mais longo ou mais curto em um instrumento de sopro altera seu timbre”, disse o pesquisador Filippo Carugati, da Universidade de Turim, na Itália, principal autor do estudo publicado na segunda-feira no periódico PLOS Computational Biology .
Leia Mais Novos dinossauros estão surgindo na África.
Cientistas acreditam que isso pode ser apenas a 'ponta do iceberg' Desconhecidos do homem, aranha fluorescente e grilo são achados na África Fósseis só de mulheres com cérebro menor que de um chimpanzé intrigam O ajuste, feito quando os indris atingem notas mais altas , aumenta a potência e o alcance de suas vozes, assim como fazem os cantores de ópera treinados.
A coautora do estudo, Chiara De Gregorio, da Universidade de Warwick, na Inglaterra, espera que a pesquisa chame a atenção não apenas para essa habilidade vocal, mas também para o animal criticamente ameaçado de extinção por trás dela.
Os lêmures são encontrados na natureza apenas em Madagascar, e os indris são os únicos conhecidos por cantar.
“Embora possamos nos considerar as únicas ‘sopranos’ capazes de produzir canções tão complexas, existe outra cantora extraordinária na floresta, uma que canta, se comunica e simplesmente tenta sobreviver”, disse De Gregorio.
Entre um grito e uma sirene Os pesquisadores analisaram 83 gravações em vídeo de 19 indris selvagens na floresta de Maromizaha e na reserva de Mitsinjo, em Madagascar .
Eles rastrearam pontos de referência faciais quadro a quadro e os combinaram com áudio sincronizado para testar estatisticamente se a abertura da boca previa a altura do som.
“Sim, e de forma muito consistente”, disse Carugati.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.cnnbrasil.com.br — o conteúdo pertence a CNN Brasil.