Juros futuros avançam de olho no quadro eleitoral
A curva de juros futuros avançou em todos os vencimentos nesta sexta-feira (11), de olho nos desdobramentos do cenário eleitoral doméstico.
Até o meio da tarde, as taxas recuavam em todos os vértices, sob influência do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo ( IPCA ) de agosto, que veio com deflação e moderação em serviços e núcleos.
O restante da sessão, porém, foi marcado por redução de posições de risco, diante da cautela sobre notícias que possam enfraquecer a candidatura da oposição nas eleições presidenciais.
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 , de curtíssimo prazo, encerrou a 13,586% , de 13,585% do fechamento anterior, perto da estabilidade .
Já a taxa de DI para janeiro de 2029 , de médio prazo, encerrou as negociações em 13,835%, ante 13,831% do fechamento anterior, com alta de 0,4 ponto-base .
A DI para janeiro de 2036 , de longo prazo, subiu 4 pontos-base e terminou o dia a 14,160%, ante 14,120% do fechamento da última sexta-feira (10) .
Nos EUA, o yield do Treasury de dois anos – mais sensível à política monetária – operava a 4,630%, ante 4,550% do ajuste anterior, por volta de 18h05 (horário de Brasília).
Já o retorno do título de 10 anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito — subia para 4,944%, de 4,971% da última sexta-feira, no mesmo horário.
O que mexeu com os DIs hoje? O prazo de 24 horas dado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, para que o ministro André Mendonça remova todo o sigilo sobre o caso Master provocou uma fuga ao risco inverteu o sinal negativo e impulsionou máximas intradia em todos os vencimentos da curva por volta das 15 horas.
A alta, porém, perdeu fôlego com o passar da sessão.
Mendonça tornou parte do processo público na noite da quinta, mas manteve sob sigilo a investigação sobre o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro por suspeitas sobre o financiamento do filme Dark Horse com recursos do ex-controlador do banco Master, Daniel Vorcaro.
Com a leitura de que possíveis revelações possam ocorrer no fim de semana, o tom de cautela prevaleceu nos negócios.
O economista-chefe do grupo CVPAR, Marcelo Fonseca, avalia que, talvez, o mercado tenha exagerado no posicionamento favorável a risco nos últimos dias, nos quais as expectativas sobre o ciclo eleitoral direcionaram a queda das taxas.
“Depois de vários dias de melhora, houve uma redução natural de risco”, disse, acrescentando que o movimento costuma ocorrer às vésperas de finais de semana.
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