Derrota doeu, mas o ousado Guto mostrou muitas qualidades no US Open
Guto Miguel perdeu a final do US Open juvenil para o competentíssimo americano Marcel Latak, de 17 anos, em um duelo dramático, jogado em nível muito alto para a faixa etária, que terminou com parciais 3/6, 7/5 e 7/6(15-13). Uma derrota que vai doer para o brasileiro, que teve três match points e, em um deles, teve a chance de matar o jogo com uma direita que ele acertaria em mais de 90% dos casos.
O goiano fez um torneio excelente, ainda que seu nível tenha oscilado aqui e ali. O que faltou em consistência foi compensado em luta. Guto saiu de buracos, salvando um match point na primeira rodada e outros três nas quartas de final, quando enfrentou o americano Jordan Lee, campeão de Wimbledon.
Além disto, na final deste sábado, esteve uma quebra abaixo no terceiro set e, mais tarde, viu o rival abrir 7/2 abaixo no tie-break. Guto reagiu, sacou brilhantemente no 6/9 e igualou o placar quanto Latak fez uma dupla falta no 9/8. O brasileiro ainda salvou um quarto match point antes de ter suas chances.
Foram três match points para Guto, e um deles machucou em especial. Era uma direita quase rotineira após um ótimo saque. O goiano falhou, e Latak acabou fechando o tie-break em seu quinto match point. Evidentemente, Miguel sentiu a derrota, o que ficou nítido no discurso de premiação.
Foi seu último torneio como juvenil. Guto vai encerrar uma bela temporada como número 1 do mundo na faixa etária, e aqui vale lembrar da entrevista que fizemos no ano passado, durante o Challenger da Costa do Sauípe. Na ocasião, Guto disse que tinha como meta vencer não um, mas dois slams juvenis em 2026. Pois ganhou Roland Garros e ficou a um ponto de conquistar o US Open.
O que isso diz sobre o adolescente? Que Guto não tem medo nem de estabelecer metas ousadas nem de falar publicamente sobre elas. Coragem, aliás, não falta ali. Fica nítido em seu tênis agressivo, de imposição. Uma personalidade que empolga quem está na plateia.
Há espaço para evoluir, evidentemente. Bastante. Não só na consistência de seu tênis (Guto ainda oscila um bocado, o que é relativamente comum na sua idade), mas no comportamento, que exige atenção. Tanto na final em Nova York quanto no Challenger de Kingston, algumas semanas atrás, foi advertido pelos árbitros por conduta antiesportiva (bateu forte na bola após pontos perdidos, quase acertando um adversário e um boleiro).
O saldo, contudo, é extremamente positivo. Chegou a hora de levar a coragem e o tênis empolgante para o circuito profissional em tempo integral. É um desafio diferente, mais exigente e com obstáculos distintos. O potencial está lá. Guto tem um belo tênis, um físico elogiável e um time mais do que competente. Os próximos anos serão interessantes.
- Já vi pessoas classificando Guto como "o maior juvenil da história do Brasil". Acho que é um terreno meio estranho. Sim, Miguel teve mais resultados do que Gustavo Kuerten, João Fonseca e Thiago Wild, mas qual a validade de uma comparação entre gerações diferentes, que competiram com oponentes distintos? Não acho que seja uma discussão saudável.
- Marcel Latak é um belíssimo tenista, que dizimou metade do top 10 juvenil em Nova York.
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