Ruas se mobiliza por Flávio e para imprimir marca bolsonarista na futura gestão no Rio
Para além do aval da maior fatia da população no primeiro turno da corrida presidencial, um grande feito do bolsonarismo até o momento foi a conquista acachapante e inesperada do governo do Rio de Janeiro.
Fiel aliado do clã, Douglas Ruas (PL) levou a cadeira depois de o Tribunal Superior Eleitoral decidir pela anulação de 274 411 votos destinados ao candidato Anthony Garotinho (Republicanos), inelegível com base na Lei da Ficha Limpa.
A retotalização fez com que Ruas, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), de 37 anos, obtivesse mais da metade da votação, derrotando o ex-prefeito carioca Eduardo Paes (PSD), favorito na disputa.
“A gente sabia que a onda estava vindo, mas não imaginávamos que fosse desse tamanho”, diz Daniel Braga, à frente da estratégia digital da campanha vitoriosa.
Passados os ecos iniciais da surpresa, o novo ocupante do Palácio Guanabara já encara o desafio de recuperar um estado mergulhado em dívidas e que há décadas convive com a terrível e inaceitável onipresença do crime organizado.
INTERINO - Ricardo Couto: desembargador pôs a casa em ordem antes de sair Mauro Pimentel/AFP Por ora, a agenda tem priorizado o plano nacional.
A arrancada de Ruas pavimenta a passagem do bloco de Flávio Bolsonaro (PL) no terceiro maior colégio eleitoral do país, e o agora governador, alçado à condição de coordenador da campanha do senador no estado, já planeja ações para tentar ampliar a vantagem de mais de 1,2 milhão de votos sobre Lula na primeira rodada da disputa.
A missão é encarada como dívida de gratidão pelo fato de o ex-presidente Jair Bolsonaro ter escalado um deputado de primeiro mandato, desconhecido do grande público, para representar a família em seu berço político.
Ruas vem procurando prefeitos com quem selou relação de proximidade no período em que foi secretário estadual das Cidades, promoveu um encontro entre Flávio e lideranças da direita fluminense e está organizando o último ato do pleito presidencial, na praia da Barra, às vésperas da votação final.
A ordem é fazer o que der para atrair os quase 3 milhões de eleitores que não compareceram às urnas na primeira etapa da eleição, entre as mais expressivas taxas de abstenção no país.
DERROTADO - Eduardo Paes: o prefeito caminhava como franco favorito Charles Sholl/Brazil Photo Press/AFP Continua após a publicidade A proximidade entre Flávio Bolsonaro e o novo ocupante do Guanabara é encarada pelo grupo político como a chegada ao poder do “PL raiz”, uma ala do partido que se ressentia de não participar das decisões estratégicas da gestão de Cláudio Castro, tido como “fraco”, “sem pulso” e lançado ao poder por força das circunstâncias, depois do impeachment de Wilson Witzel.
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