Sem ele
O lulismo sobreviverá com a ausência do seu criador, ou seja, caso o presidente Lula seja derrotado? Digo sem ele e justifico.
Nas três primeiras candidaturas do hoje presidente Lula, em 1989, 1994 e 1998, embora derrotado, o seu prestígio só crescia e não apenas entre os petistas da época, já que não existia nem petismo e nem lulismo.
Mesmo assim, a candidatura Lula vinha fincando as suas raízes em prol de sua quarta candidatura presidencial e, desta feita, elegeu-se nas eleições de 2002 e reelegeu-se em 2006.
Até ali, nada a se estranhar.
Afinal de contas, enquanto incumbente, ou seja, enquanto candidato à sua própria reeleição, sua vitória não causou maiores surpresas.
Entretanto, o então presidente Lula viu-se diante de um novo desafio, qual seja, o da sua própria sucessão, e isto porque nenhum outro filiado do PT e nem da sua aliança partidária havia surgido em condições favoráveis para sucedê-lo.
Até porque, o tucanato, como eram denominados os integrantes do PSDB, detinha vários nomes para apresentar como candidatos nas eleições de 2010, a exemplo de José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves.
Quando menos se esperava, o então presidente Lula tirou do bolso do seu colete ou do seu pijama o nome de Dilma Rousseff e a indicou como candidata à sua própria sucessão, e esta veio a eleger-se nas eleições de 2010 e a reeleger-se em 2014.
Com os oito anos do governo Lula e mais outros oito anos do governo Dilma Rousseff, embora o petismo não tenha crescido na mesmíssima proporção, o mesmo não se podia dizer do lulismo.
Enquanto isto, prevendo-se ou não a volta do ex-presidente Lula ao poder, e sendo perseguido ou não, ele teve que pagar os mais altos preços, tornando-se inelegível e presidiário, pelo menos até as eleições de 2018, já que o próprio Lula pretendia se candidatar.
Porém, antes, não resistindo a um processo de impeachment, a presidente Dilma Rousseff foi afastada do poder na plenitude do seu segundo mandato presidencial.
A partir de então, sem a candidatura Lula — pois ele se encontrava inelegível — e com os medalhões do PSDB em baixa, eis que surgiu a candidatura de Jair Bolsonaro, que veio a ser vitoriosa.
Não saberia dizer a quem responsabilizar pela radicalização política que se estabeleceu no nosso país: se ao ex-presidente Lula, buscando voltar ao poder, ou ao então presidente Jair Bolsonaro, na busca de sua reeleição.
O fato é que, sem dúvida, quando um país se diz democrático e dispõe de uma legislação eleitoral absolutamente anárquica como a nossa, não bastam apenas as eleições para expressar o que denominamos de soberania popular.
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