Tecnologia e neurociência transformam a reabilitação de crianças e jovens
Quando uma criança apresenta atrasos importantes no desenvolvimento ou um adolescente recebe o diagnóstico de ansiedade ou depressão, o caminho costuma incluir acompanhamento médico, psicoterapia, fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia e outras intervenções especializadas. O que poucas famílias sabem é que a ciência vem desenvolvendo, há alguns anos, tecnologias capazes de estimular o cérebro de forma não invasiva para potencializar esse processo de reabilitação.
Chamadas de neuromodulação, essas técnicas deixaram de ser assunto restrito aos laboratórios e começaram a fazer parte da rotina de hospitais, universidades e centros especializados em diversos países. Algumas aplicações já possuem evidências científicas bastante consistentes. Outras ainda estão em fase de investigação, mas acumulam resultados promissores e ajudam a ampliar as possibilidades terapêuticas para crianças e adolescentes.
O mais importante é entender que essas tecnologias não substituem nenhuma terapia. Elas funcionam como uma ferramenta complementar. Costumo dizer que a neuromodulação abre uma janela de aprendizado no cérebro. Ela não coloca uma informação nova ali dentro. Ela cria condições para que esse cérebro responda melhor aos estímulos oferecidos durante a reabilitação.
É justamente essa capacidade de favorecer a neuroplasticidade, ou seja, a habilidade do cérebro de criar conexões e reorganizar seu funcionamento, que desperta tanto interesse da comunidade científica.
O cérebro está aprendendo o tempo todo. Quanto mais entendemos esse processo, mais conseguimos desenvolver estratégias para potencializar esse aprendizado. A neuromodulação faz parte desse movimento.
Entre as técnicas mais estudadas está a estimulação transcraniana por corrente contínua, conhecida pela sigla tDCS. Uma revisão sistemática com meta-análise publicada na revista científica Brain Research reuniu os principais estudos realizados com crianças e adolescentes e concluiu que a técnica apresenta resultados promissores, principalmente, na melhora da comunicação social, na redução de comportamentos repetitivos e na regulação comportamental em crianças com transtornos do neurodesenvolvimento.
Existe a necessidade de estudos com um número maior de participantes e de protocolos padronizados para definir quais pacientes apresentam maior benefício e em quais situações essas técnicas devem ser incorporadas à rotina clínica, e essa é justamente a forma correta de olhar para a inovação em saúde.
A ciência avança passo a passo. Nenhuma tecnologia deve ser encarada como solução isolada. O que faz diferença é a combinação entre conhecimento científico, avaliação individualizada e um plano terapêutico construído por uma equipe multidisciplinar. Não podemos parar de estudar nunca.
Embora boa parte das pesquisas envolva crianças com alterações do neurodesenvolvimento, a neuromodulação também vem sendo estudada para diferentes condições relacionadas à saúde mental.
A estimulação magnética transcraniana repetitiva, conhecida como rTMS, já possui alto nível de evidência científica para o tratamento da depressão resistente em adultos e vem apresentando resultados promissores em adolescentes.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jovempan.com.br — o conteúdo pertence a Jovem Pan.