Tchau, Allan. Foi um prazer te ver jogar
O Palmeiras vendeu Allan, o jogador mais interessante do elenco. Jovem, driblador, corajoso, fundista, tático, coletivo. Um jovem que está apenas começando a ser o atleta que pode vir a ser. Foi embora para a Inglaterra, jogar aquele torneio tedioso (me desculpem os que gostam do futebol inglês). Não verei mais Allan em campo. Talvez, num ou em outro jogo e no caso de ele ser usado. O Palmeiras precisava vender? Quase todos responderão "pela grana que o City ofereceu, precisava". Que pena que mesmo os clubes financeiramente estruturados cedam à força da grana em detrimento da força esportiva e de criação de vínculo.
Se o Palmeiras não pode segurar o craque, quem pode? Danou-se. Somos apenas um entreposto para o futebol europeu e, em menor escala, para o russo e o árabe. O país que mais forma jogadores bons como chão de fábrica do interesse mundial. "É assim que é e segue a vida", podem argumentar. Eu diria que não é assim que precisaria ser e que aceitamos muito passivamente um mundo construído em torno dos interesses do hemisfério norte.
Allan talvez quisesse ter ido porque o sonho de jogar na Europa começa a ser construído na base: o futuro é lá fora e não há outro, dizem os empresários que ganham forte com essas vendas. O futebol brasileiro precisa mudar muita coisa, mas eu começaria por essa construção enviesada de desejo. Que os 240 milhões de reais sejam bem investidos e que possam pelo menos em parte ajudar a seguir construindo o futebol feminino do Palmeiras. E que Allan um dia ele volte para casa.
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