'Foi assustador', diz militante britânico pró-deportação expulso dos EUA
Milo Yiannopoulos, 41, influenciador britânico de extrema direita deportado dos Estados Unidos para o Reino Unido após ser preso por autoridades de imigração (ICE), disse que a experiência foi "assustadora" e que "nunca teve tanto medo antes".
Yiannopoulos contou, em entrevista ao jornalista Piers Morgan divulgada ontem, que ficou "muito aterrorizado" com o episódio. Britânico foi deportado na sexta-feira, um dia após ser detido no aeroporto internacional Louis Armstrong, em Nova Orleans, no estado da Louisiana.
Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) afirmou que ele entrou legalmente no país em maio de 2019, mas permaneceu além do prazo do visto. "Eu não compreendia realmente a realidade física de quão institucionalizada é a brutalidade nos Estados Unidos", disse Yiannopoulos, ao relatar como suas mãos e pés foram acorrentados juntos com algemas. "Dói muito mais do que parece na televisão", acrescentou.
Yiannopoulos descreveu a experiência como "humilhante", "desorientadora" e "fisicamente degradante". "Foi assustador, e acho que nunca senti tanto medo antes", acrescentou.
DHS informou que um juiz de imigração emitiu uma ordem final de remoção em 22 de julho, depois de o influenciador não comparecer a uma audiência. Em postagem no X, o órgão escreveu: "Estar detido é uma escolha. Incentivamos todos os imigrantes ilegais a assumirem o controle de sua saída com o aplicativo CBP Home".
Yiannopoulos ganhou notoriedade na internet por posições provocativas e por defender ações duras contra imigrantes nos Estados Unidos. Em junho de 2025, ele escreveu em uma rede social: "A Califórnia precisa de postos de controle do ICE nas entradas de supermercados, postos de gasolina, centros comerciais, cruzamentos e prédios governamentais, com deportação imediata para qualquer pessoa que não possa comprovar que está legalmente nos EUA".
O influenciador já trabalhou como editor de tecnologia do site conservador Breitbart, cargo que deixou em fevereiro de 2017 após repercussão de declarações antigas. Em um clipe de vídeo passado, ele disse: "E acho que, particularmente no mundo gay, e fora da Igreja Católica — se é para lá que alguns de vocês querem levar isso — algumas das relações mais importantes, enriquecedoras e incrivelmente afirmativas para a vida, relações importantes de formação, muitas vezes são entre meninos mais jovens e homens mais velhos".
No mesmo vídeo, Yiannopoulos afirmou que esse tipo de relação poderia ser positiva e minimizou o impacto de abuso sexual. "Elas podem ser experiências enormemente positivas", disse ele, antes de acrescentar: "não é a pior coisa que vai acontecer com você... ir à falência é pior".
A prisão do militante de extrema direita ocorreu em um momento em que havia relatos de que Yiannopoulos estava em Nova Orleans antes de um show de Ye, artista anteriormente conhecido como Kanye West. Autoridades, contudo, não confirmaram se ele estava na cidade por causa da apresentação.
O influenciador já trabalhou com Ye e com figuras alinhadas ao movimento MAGA, após se afastar do círculo próximo de Donald Trump.
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