O animal que consegue ficar vários minutos submerso e possui adaptações para economizar oxigênio durante o mergulho
Alterações cardiovasculares e uso controlado das reservas de oxigênio ajudam o castor a permanecer debaixo d'água
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Sem possuir as reservas extraordinárias de oxigênio de focas ou baleias, o castor-europeu ( Castor fiber ) consegue permanecer submerso por vários minutos quando necessário. Estudos com animais livres mostram, porém, que seus mergulhos cotidianos costumam ser muito mais curtos, enquanto alterações cardiovasculares e o uso controlado do oxigênio ajudam o mamífero a enfrentar períodos prolongados debaixo d’água.
O Castor fiber é um roedor semiaquático distribuído por partes da Europa e da Ásia. Ele mergulha para deslocar-se, buscar vegetação, transportar materiais e acessar entradas submersas de abrigos. Suas narinas e canais auditivos podem ser fechados durante o mergulho, impedindo a entrada de água enquanto o animal nada.
A pelagem densa também retém ar e oferece isolamento térmico, característica importante em rios e lagos frios. Os pés traseiros largos e palmados produzem propulsão eficiente, enquanto a cauda achatada ajuda nas manobras. Essas adaptações reduzem o esforço necessário para se movimentar no ambiente aquático.
Quando a submersão se prolonga, ocorre uma resposta cardiovascular semelhante à observada em outros mamíferos mergulhadores. Experimentos registraram queda acentuada da frequência cardíaca, acompanhada por redistribuição do fluxo sanguíneo para órgãos essenciais, principalmente cérebro e coração.
Em um estudo clássico com castores mantidos submersos por dez minutos, a frequência cardíaca caiu aproximadamente 85%. Essa resposta diminui o consumo de oxigênio por tecidos menos prioritários e permite utilizar com maior eficiência o oxigênio armazenado nos pulmões, sangue e músculos.
Este vídeo mostra um castor-europeu nadando debaixo d’água e permite observar sua locomoção aquática.
Embora existam referências fisiológicas a submersões próximas de 15 minutos em castores, isso está longe de representar o comportamento habitual do castor-europeu na natureza. Um estudo realizado com 12 indivíduos livres na Noruega mostrou que a maioria dos mergulhos durava menos de 30 segundos e atingia menos de um metro de profundidade.
Esses mergulhos curtos provavelmente permanecem predominantemente aeróbicos. Pesquisas indicam que as reservas de oxigênio muscular começam a diminuir significativamente após cerca de dois a quatro minutos, enquanto as reservas sanguíneas também apresentam redução importante por volta dos quatro minutos. Mergulhos extremos, portanto, representam capacidade máxima, não rotina.
Não. Apesar da boa capacidade de mergulho, castores possuem reservas totais de oxigênio relativamente modestas quando comparados com mamíferos marinhos especializados. Um estudo fisiológico encontrou capacidade de armazenamento equivalente a aproximadamente um terço daquela registrada em uma foca-comum usada como comparação.
A diferença faz sentido porque o castor passa grande parte da vida respirando normalmente na superfície e não depende de mergulhos profundos para capturar alimento.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.