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Política

Homofobia não é entretenimento

Brasil de Fato ·
Homofobia não é entretenimento

A coluna “Educação em Direitos Humanos em Pauta” é mantida pela Rede Brasileira de Educação em Direitos Humanos – Coordenação Minas Gerais (ReBEDH MG) – para contribuir com a problematização da realidade socioeconômica e cultural do país e nos educarmos, continuamente, para a construção de uma cultura de respeito e promoção dos direitos humanos.

Repercutiu fortemente na imprensa o fato ocorrido na noite de sexta-feira (4), quando um ator global foi vítima de um ataque homofóbico nas ruas da cidade do Rio de Janeiro. O artista em questão foi alvo de uma abordagem hostil por parte de um influenciador digital, ironizando suas roupas e aparências. A situação estava sendo gravada e transmitida ao vivo nas redes sociais. Após denúncia, o caso está sendo apurado pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância.

Diante da repercussão, o influenciador digital negou a prática de homofobia e disse que estava apenas produzindo entretenimento.

Como é possível afirmar que o ato de ridicularizar uma pessoa – independentemente de sua etnia, orientação sexual, gênero – e transmitir esta situação nas redes sociais é um entretenimento?

A situação diz muito sobre os desafios contemporâneos relacionados ao uso das mídias sociais, como se o espaço digital fosse uma terra sem leis. E diz também dos problemas relacionados à ausência (ou insuficiência) de uma educação das sensibilidades, de uma educação para a empatia e compromisso com a coletividade.

No caso específico, por se tratar de uma pessoa homoafetiva, há o agravante de que o Brasil ostenta, há alguns anos, o triste título de país que mais mata pessoas LGBTQIAPN+ no planeta. E, infelizmente, dados divulgados recentemente pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que os registros de homofobia e transfobia aumentaram 35,6% no Brasil entre 2024 e 2025.

Uma outra questão que precisa ser pontuada: a vítima de homofobia, neste caso, foi um homem branco, um ator global, que possui visibilidade e que, considerando a grande maioria da população brasileira, possui uma série de privilégios.

Não se trata de relativizar o fato em si ou de não reconhecer a dor do outro (no caso, do ator, vítima de homofobia). Trata-se de pensar no que enfrentam gays e lésbicas, pessoas bissexuais, homens e mulheres trans pobres e periféricos neste país.

Educar em Direitos Humanos é educar para o sensível, para o compromisso com os direitos fundamentais de toda pessoa humana. É também educar para a cidadania e para a participação responsável na sociedade. Uma nação que não respeita a diversidade sexual e de gênero, que não garante a todas as pessoas a liberdade de serem quem de fato são, evidencia o quanto se faz urgente educar para os direitos humanos.

A Educação em Direitos Humanos é um processo contínuo. Trata-se de construir uma cultura de promoção e defesa dos direitos de todas as pessoas. Há que se educar para o respeito e para a solidariedade, para o reconhecimento da diversidade e dos direitos fundamentais de todas as pessoas humanas.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.brasildefato.com.br — o conteúdo pertence a Brasil de Fato.

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