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Política

O fim da escala 6×1 e os próximos desafios

Revista Fórum ·
O fim da escala 6×1 e os próximos desafios

A aprovação da Emenda Constitucional que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais e extingue, em definitivo, a desumana escala 6×1 transcende a mera alteração do texto da nossa Carta Magna.

Trata-se de um triunfo histórico, político, social e, acima de tudo, humanitário.

Vencemos uma estrutura arcaica de exploração que roubava do trabalhador brasileiro o seu bem mais precioso: o tempo da própria vida.

O fim da escala 6×1 é a devolução do direito ao convívio familiar, ao lazer, ao estudo e ao descanso físico e mental.

É a prova cabal de que a economia deve servir à sociedade, e não o inverso. ​Para compreendermos a magnitude deste passo, precisamos olhar para o retrovisor das lutas de classe no Brasil.

A redução da jornada de trabalho nunca foi concedida como favor; foi sempre arrancada a fórceps.

No início do século XX, sob a fumaça das fábricas e a força incansável das greves, a classe trabalhadora sangrou para impor limites à exploração de seus corpos, forçando, em 1932, a regulamentação do teto de 48 horas semanais.

Décadas depois, nas trincheiras da redemocratização durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1988, a mobilização sindical garantiu um novo avanço: a redução para 44 horas.

Uma vitória maiúscula, mas que sabíamos ser ainda insuficiente. ​É neste ponto que a perseverança da Central Única dos Trabalhadores (CUT) se confunde com a própria história contemporânea do país.

Desde a nossa fundação, a jornada de 40 horas sem redução salarial tem sido uma bandeira central e inegociável.

Enfrentamos o lobby implacável do capital, que historicamente profetiza o caos econômico a cada avanço social, para provarmos, nas ruas e no Congresso Nacional, que a redução gera mais empregos, saúde e dignidade. ​Este triunfo civilizatório, contudo, nos convoca imediatamente para as próximas batalhas na defesa da vida do povo brasileiro.

O grande desafio que se impõe ao movimento sindical agora é assegurar que os benefícios sociais e de saúde oriundos da redução da jornada cheguem a todos os trabalhadores.

O capital encontrou na “pejotização”, na uberização e na informalidade novas roupagens para a velha precarização.

De que adianta cravarmos as 40 horas na Constituição se uma legião de trabalhadores continuarem a trabalhar até 14 horas diárias e sem os direitos mais elementares? A continuidade inabalável da luta contra a precarização do trabalho é a nossa linha de frente permanente. ​E é exatamente para garantir que essa expansão de direitos ocorra — e que as vitórias já alcançadas não sejam roubadas — que temos um desafio político histórico: eleger Lula presidente da República novamente.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistaforum.com.br — o conteúdo pertence a Revista Fórum.

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