Lula fez discurso de estadista na ONU, diz embaixadora
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O presidente Lula (PT) falou como um "estadista" ao discursar na Assembleia Geral da ONU, avaliou a embaixadora do Brasil em Ruanda, Irene Vida Gala, no UOL News - 2ª edição , do Canal UOL.
No programa, ela comentou a repercussão do pronunciamento, que teve recados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , e abordou temas internacionais como Palestina, corrida armamentista e violência contra as mulheres.
Eu ouvi o discurso do presidente Lula e confesso que, como diplomata, é uma imensa satisfação ouvir um presidente que fala para uma Assembleia Geral que quer ouvi-lo.
Falava-se muito aqui no Brasil que ele ia fazer um discurso orientado para o público interno e o que vimos foi um estadista falando, com atenção da comunidade internacional ali presente.
Hoje, encontrei vários colegas do corpo diplomático, e vários vieram me cumprimentar e fazer menção ao discurso do presidente. Irene Vida Gala, embaixadora do Brasil em Ruanda
A embaixadora disse que o Brasil tem ?estatura? para tratar de assuntos que, segundo ela, interessam ao mundo e que a reação no plenário refletiu isso. Ela citou aplausos quando Lula falou de Palestina, escravidão como crime contra a humanidade e feminicídio.
O Brasil é um país que tem estatura para falar de temas que são de interesse e de importância para o conjunto do mundo. As palmas que o presidente recebeu mostram isso.
Ele recebeu palmas, por exemplo, quando ele falou da Palestina, do crime, do reconhecimento da escravidão como crime contra a humanidade, e quando ele falou do feminicídio, que é um tema internacional. Irene Vida Gala, embaixadora do Brasil em Ruanda
Ao comparar Lula e Trump, Irene Vida Gala afirmou que o presidente brasileiro falou a partir de um "lastro moral", enquanto o americano, na avaliação dela, se apoia na posição de poder militar e econômico. Para a diplomata, isso ajuda a explicar a diferença de recepção entre os dois discursos.
O Brasil tem lastro moral e respeito daqueles países para falar e por isso foi aplaudido muitas vezes, enquanto os Estados Unidos receberam pouquíssimas palmas.
O presidente dos EUA fala da sua posição de poder, um poder militar econômico. O Brasil fala da sua posição de um poder moral. Irene Vida Gala, embaixadora do Brasil em Ruanda
A embaixadora também ressaltou o trecho em que Lula defendeu a diplomacia como "a única opção" e disse que, mesmo reconhecendo desafios ao multilateralismo, o Brasil segue apostando no papel da ONU para enfrentar crises e conflitos.
Ele falou que a diplomacia é a única opção. O Brasil reconhece as dificuldades, mas ao mesmo tempo continua entendendo que é por intermédio da ONU que nós podemos resolver temas tão importantes. Irene Vida Gala, embaixadora do Brasil em Ruanda
No debate, ela ainda comentou o cenário político interno brasileiro a poucos dias das eleições e disse ver, do exterior, preocupação com riscos à democracia. Para ela, há expectativa na comunidade internacional de que o Brasil mantenha uma "vocação progressista".
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